Após um dia de silêncio na Câmara Legislativa, após se denunciar uma mesada paga pelo Master a um grupo de distritais, o deputado Jorge Vianna, do Democrata, enfim contestou a notícia.
De acordo com o portal responsável pela acusação, a informação faria parte de uma suposta proposta de delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Após uma audiência com a governadora Celina Leão, Jorge Vianna afirmou que não deve nada e que nunca trocou favores com o BRB ou qualquer outra instituição financeira.
Disse também que desconhece se qualquer outro distrital recebeu quantias como essa.
A declaração foi feita após Celina Leão lançar o programa Farmácia Digital, sistema que permite solicitar e agendar o serviço, reduzindo filas e modernizando atendimento a cerca de 50 mil pacientes.
Como Jorge Vianna (foto) tem sua base eleitoral no funcionalismo da saúde, foi convidado especial para o anúncio do programa.
Todos de olho na delação premiada
Embora não houvesse sequer uma fonte oficial citada nas informações sobre eventual vazamento da delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, a repercussão ocorrida na Câmara Legislativa dá uma ideia do climão criado pelo episódio do Banco Master.
Só existe uma certeza a respeito da delação de Paulo Henrique: ela precisa ser feita com rapidez.
É que, com outras delações já encaminhadas, entre elas a do próprio banqueiro Daniel Vorcaro e do seu cunhado e sócio Fabiano Zettel, Paulo Henrique se tornou o elo mais fraco nessa cadeia processual.
Ele precisa ter pressa para que não seja ultrapassado pelos demais delatores e fique sem poder de barganha.
Pesa também nessas expectativas a presença, como advogado de Paulo Henrique, do promotor aposentado Eugênio Aragão (foto).
Não só se trata de um profissional altamente qualificado como, por seus vínculos com campanhas anteriores do presidente Lula e por ter sido ministro da Justiça da então presidente Dilma Rousseff, mantém estreito diálogo político com forças governistas.
Nem pensar em associação de imagem
Com essa viralização das delações premiadas e da disposição de todas as vertentes políticas para explorar qualquer menção que apareça nelas, fundamentada ou não, criou-se em Brasília um clima de apreensão generalizada.
Tenham ou não o que temer, todos os ocupantes de cargo público querem cortar pela raiz eventuais citações, fundamentadas ou não.
A própria governadora Celina Leão dá o exemplo.
Ela está razoavelmente tranquila quanto ao caso do Banco de Brasília, pois é sabido que, como vice, não mantinha qualquer tipo de relação com o então presidente Paulo Henrique Costa.
Mas, como ela mesma costuma dizer, em período eleitoral, pode surgir qualquer tipo de coisa.
Em uma inauguração oficial, Celina recebeu de um diretor do Banco de Brasília, como presente, um bonezinho do BRB.
Não se sabe até agora o que a governadora fez com esse boné, mas, tão logo entregue, ele sumiu.
Nunca mais foi visto.
Damares fala em “nova Lava Jato”
Pelo sim, pelo não, a senadora brasiliense Damares Alves falou, nesta quarta-feira, 13, em “uma possível nova Lava Jato”, agora para investigar o caso dos distritais.
Damares disse que um deputado já a procurou para negar a mesada, mas que a denúncia é grave.
A senadora recebeu uma especialista da Rede Governança Brasil, Cristiane Nardes, para discutir a situação.