A direita do Distrito Federal anda meio embaralhada desde a eleição passada. Tem um candidato natural a senador, o governador Ibaneis Rocha, uma candidata mais do que natural ao Buriti, a vice Celina Leão, uma porta-voz muito bem votada à direita, Bia Kicis, e uma sobra, a senadora Damares Alves, que tem oito anos de mandato pela frente e não sabe muito bem para onde correr na próxima eleição.



De quebra, há um coringa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que pode disputar desde a presidência da República até a segunda vaga de senador. O enigma sempre ficou sendo Damares, apontada como eventual candidata ao Buriti, mas comprometida com uma série de juras de amor a Celina.

Em outras palavras, há sempre uma sobra aí. Neste final de semana, porém, Damares chutou o balde. Disse que assumirá a verdadeira liderança da direita no Distrito Federal.
O sinal de alarme soou, claro, para os lados de Celina. Mas a própria Damares amenizou o clima, dizendo que nunca disputaria com a amicíssima Celina. Claro, tudo a conferir.
O real ataque, porém, partiu na direção de Bia Kicis. Damares disse que Bia não cuida da direita, mas do PL que preside, ou seja, dela própria, Bia. Em tese, as duas não são rivais diretas, pois Bia concorreria naturalmente ao Senado, onde Damares já está instalada.
Em outras palavras, surgiu uma estranhíssima dança das cadeiras na direita, onde se sabe quem quer ocupar lugar, mas ninguém sabe qual o espaço vago. Em outras palavras, a encrenca está criada.