O “Novo Desenrola Brasil”, uma das principais vitrines de crédito da atual gestão, chegou ao Congresso com uma lacuna estrutural.
A correção foi feita pela senadora brasiliense Damares Alves, do Republicanos, afirmando que o erro decorre de “uma miopia da equipe econômica”.
Em nome da oposição, Damares apresentou emenda que, segundo ela, deve frear a “porta giratória” do endividamento brasileiro.
Na avaliação da parlamentar, o governo focou no alívio imediato — limpar o nome do devedor —, mas ignorou o “dia seguinte”.
O texto original da MP, desenhado pelo Ministério da Fazenda, até prevê a destinação de recursos para ações de educação financeira, mas peca ao não estabelecer nenhum mecanismo que garanta que o cidadão socorrido realmente acesse esse conhecimento.
“Em resumo”, disse a senadora, “o governo abriu o caixa, mas não exigiu contrapartida comportamental”.
É exatamente nesse ponto cego que a emenda da oposição atua.
Se aprovada, a proposta altera a dinâmica do programa para o longo prazo, inserindo o que os economistas chamam de “fricção positiva”, com o que Damares apelidou de trava anticalote: o socorro imediato de limpar o nome continua garantido, mas, se o consumidor quiser voltar a tomar um novo empréstimo na mesma instituição financeira no futuro, ele será obrigado a apresentar o comprovante de conclusão de um curso online de educação financeira básica a ser ministrado pelos bancos para todos os clientes que renegociarem suas dívidas.