A comissão de inquérito chegou a ser montada à revelia do comando palaciano, mas tinha tudo para ajudar no combate a este crime bárbaro. Só que os obstáculos colocados pelo governo local tem levado ao esvaziamento desta CPI.
Desta vez, a comissão chegou a solicitar a cessão de dois servidores dos quadros do Executivo, um sediado na Polícia Civil e outro na Secretaria da Mulher. Só que o governo decidiu rejeitar ambos os pedidos, impedindo a ida dos servidores.
A opção tomada pela CPI? Ir para o embate. Desta vez, integrantes do colegiado estudam oficiar o GDF com um documento de requisição para obrigar o palácio a ceder os funcionários.
Nesta semana, os cinco membros da comissão, em conjunto com o presidente da Câmara legislativa, Rafael Prudente (MDB), definiram a primeira leva de servidores, da própria Casa, que irão compor a estrutura CPI. A reclamação, no entanto, além de chegar aos ouvidos de Prudente, também bateu na porta da Casa Civil, pasta sensível do Buriti.
A coluna lembra que, quando a composição dos nomes que integrariam a Mesa do colegiado ainda não tinha sido definida, uma atuação palaciana deixou a CPI do Feminicídio sem uma única representante mulher. A atitude levou a Câmara a travar a instalação da comissão e os nomes só foram definidos cerca de 40 dias depois, muito além do prazo regimental.
Na política, a soma dos pequenos problemas se torna mais letal do que uma grande adversidade, já que a permanência de um desgaste corrói a relação entre Poderes. A atuação palaciana contra a CPI, no entanto, é só mais um destes problemas.
Na prática, quem perde é a população.