Durante todo o período de votação e apuração, Celina permaneceu ao lado da senadora eleita Michelle Bolsonaro. Até mesmo durante a contagem dos votos, quando Celina estava com a família, Michelle permaneceu sentada junto dela (foto).
A governadora pôde, assim, perceber como era autêntica e forte a torcida da nova senadora pela eleição presidencial de Flávio Bolsonaro. Se antes se falava de atritos entre ambos — e ao menos dois confrontos, um deles grave, tornaram-se públicos —, Michelle realmente estava empenhada na vitória do enteado.
Claro, é público que, se Flávio fosse eleito, as chances de soltura imediata do marido de Michelle, hoje em prisão domiciliar, cresceriam muito. O próprio Flávio dizia que pretendia receber do pai, Jair, a faixa presidencial.
Isso até pareceu provável quando o time de Celina, recém-confirmada a vitória, deixou sua central para festejar no comitê. Naquele momento, Flávio estava à frente na apuração. Quando conseguiram chegar ao comitê para encontrar o público, já se considerava irreversível a vantagem de Lula. Michelle permaneceu com a equipe de Celina por mais tempo.
Como lidar com a bancada federal
A composição da bancada federal, assim como a distrital, é amplamente favorável ao governo Celina. Ela conta com as três senadoras, com cinco dos oito deputados federais e com ao menos 16 dos 24 distritais.
O problema será dosar a ação dessa bancada. Além das três senadoras, outros três deputados federais — sem falar em meia dúzia de distritais — são bolsonaristas-raiz, preparados para fazer dura oposição ao governo Lula.
É claro que a governadora reeleita, ou quem estivesse em seu lugar, precisará da boa vontade do Planalto para administrar o Fundo Constitucional, os investimentos na região e até o caso BRB. Uma oposição estridente da bancada pode até atrapalhar.