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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Cidadania pode mudar de nome outra vez

Partido Comunista Brasileiro mudou duas vezes de nome. Virou Partido Popular Socialista e, depois, Cidadania

Eduardo Brito

25/07/2024 19h47

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Marcos Oliveira/Agência Senado

Após a criação do PT e da consolidação daquilo que uma vez se chamou de Eurocomunismo, abrindo caminho para se repensar os comunistas tradicionais, o histórico e representativo Partido Comunista Brasileiro mudou duas vezes de nome. Virou Partido Popular Socialista e, depois, Cidadania.

A mudança foi além do nome.

O partido quis se distinguir das correntes de esquerda que considerava superficiais, irresponsáveis e sem visão histórica. No fundo, considerava esse time um bando de porras-loucas.

Nesse processo, identificou-se com a centro-esquerda, a ponto de se unir ao PSDB em uma federação eleitoral, no que para muitos se constituiu em abraço de afogados.

Esse processo começa a se reverter em uma dinâmica que tem passos concretos em Brasília, onde o partido passou ao controle do ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque.

Na resolução política aprovada no Congresso que elegeu Cristovam foi assinalado que em uma conjuntura, no Brasil e em Brasília, em que prevalece o embate entre as forças políticas democráticas e as do autoritarismo, “o Cidadania – DF se vê frente ao desafio de recuperar o papel de protagonista do processo político local, tendo como norte o futuro do Distrito Federal como unidade da Federação com desenvolvimento econômico, socialmente justo, ecologicamente sustentável, com igualdade de oportunidades para todos os brasilienses.

O próprio Cristovam pensa em dar um sinal claro nesse sentido mudando novamente o nome do partido para a sigla PPS, ou seja popular e socialista. Fará essa proposta como vice-presidente nacional do partido, além de presidente regional. Acha que a palavra cidadania não quer dizer muito em termos partidários, além de, em tese, dever aplicar-se a qualquer partido. Hoje os desafios são maiores, não se referem a espaços de cidades, mas ao planeta.

Mais próximo ao PT

Isso significa que o partido deverá afastar-se – desligar-se é outro problema – da sua coligação atual com o PSDB e se reaproximar do PT. Cristovam conta que o próprio Lula comentou que ele deveria se “desligar dessa droga de Cidadania” e voltar às posições originais.

Aliás, a palavra usada por Lula não foi exatamente “droga”. Mas Cristovam pensa mesmo no assunto.

O Cidadania – DF pode ser um importante ator no processo de formação de uma ampla aliança, que incorpore setores hoje insatisfeitos com os rumos do Distrito Federal. Há, porém, uma encrenca nisso tudo.

A federação com o PSDB vai durar ao menos quatro anos. Esse prazo inclui as próximas eleições. Vai até 2026. O partido estará preso aos tucanos, que têm buscado a manutenção de uma postura se não de centro-direita, pelo menos, de centro. São Paulo é um exemplo.

Para as eleições municipais, o PSDB indicou o radialista José Luiz Datena. Dessa forma, o Cidadania não pode lançar outro nome, nem mesmo apoiar outro candidato.

O jornalista formalizou sua filiação ao PSDB e se tornou pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.
O jornalista formalizou sua filiação ao PSDB e se tornou pré-candidato à Prefeitura de São Paulo.

A Federação PSDB-Cidadania terá uma única nominata. Mas isso não parece ser impedimento para o ex-governador. “Vou apoiar (Guilherme) Boulos (candidato do Psol à prefeitura paulista). Por sinal já o estou apoiando, já me reuni com ele num almoço” – revela Cristovam.

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