Após a criação do PT e da consolidação daquilo que uma vez se chamou de Eurocomunismo, abrindo caminho para se repensar os comunistas tradicionais, o histórico e representativo Partido Comunista Brasileiro mudou duas vezes de nome. Virou Partido Popular Socialista e, depois, Cidadania.
A mudança foi além do nome.
O partido quis se distinguir das correntes de esquerda que considerava superficiais, irresponsáveis e sem visão histórica. No fundo, considerava esse time um bando de porras-loucas.
Nesse processo, identificou-se com a centro-esquerda, a ponto de se unir ao PSDB em uma federação eleitoral, no que para muitos se constituiu em abraço de afogados.
Esse processo começa a se reverter em uma dinâmica que tem passos concretos em Brasília, onde o partido passou ao controle do ex-governador e ex-senador Cristovam Buarque.
Na resolução política aprovada no Congresso que elegeu Cristovam foi assinalado que em uma conjuntura, no Brasil e em Brasília, em que prevalece o embate entre as forças políticas democráticas e as do autoritarismo, “o Cidadania – DF se vê frente ao desafio de recuperar o papel de protagonista do processo político local, tendo como norte o futuro do Distrito Federal como unidade da Federação com desenvolvimento econômico, socialmente justo, ecologicamente sustentável, com igualdade de oportunidades para todos os brasilienses.
O próprio Cristovam pensa em dar um sinal claro nesse sentido mudando novamente o nome do partido para a sigla PPS, ou seja popular e socialista. Fará essa proposta como vice-presidente nacional do partido, além de presidente regional. Acha que a palavra cidadania não quer dizer muito em termos partidários, além de, em tese, dever aplicar-se a qualquer partido. Hoje os desafios são maiores, não se referem a espaços de cidades, mas ao planeta.
Mais próximo ao PT
Isso significa que o partido deverá afastar-se – desligar-se é outro problema – da sua coligação atual com o PSDB e se reaproximar do PT. Cristovam conta que o próprio Lula comentou que ele deveria se “desligar dessa droga de Cidadania” e voltar às posições originais.
Aliás, a palavra usada por Lula não foi exatamente “droga”. Mas Cristovam pensa mesmo no assunto.
O Cidadania – DF pode ser um importante ator no processo de formação de uma ampla aliança, que incorpore setores hoje insatisfeitos com os rumos do Distrito Federal. Há, porém, uma encrenca nisso tudo.
A federação com o PSDB vai durar ao menos quatro anos. Esse prazo inclui as próximas eleições. Vai até 2026. O partido estará preso aos tucanos, que têm buscado a manutenção de uma postura se não de centro-direita, pelo menos, de centro. São Paulo é um exemplo.
Para as eleições municipais, o PSDB indicou o radialista José Luiz Datena. Dessa forma, o Cidadania não pode lançar outro nome, nem mesmo apoiar outro candidato.

A Federação PSDB-Cidadania terá uma única nominata. Mas isso não parece ser impedimento para o ex-governador. “Vou apoiar (Guilherme) Boulos (candidato do Psol à prefeitura paulista). Por sinal já o estou apoiando, já me reuni com ele num almoço” – revela Cristovam.