Recém-conduzido para a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Kassio Nunes Marques (foto) apareceu com uma novidade: a certificação de qualidade para os institutos que mais acertam pesquisas.
Em outras palavras, ele sabe muito bem que há pesquisas enganosas ou mesmo patrocinadas em jogo. Há um sentido nisso e, não por acaso, Kassio disse tudo isso em reunião com 16 diretores de grandes institutos.
Desde que começaram as campanhas eleitorais, com a definição dos candidatos a postos majoritários – como governos e Senado –, surgiram as mais variadas pesquisas.
Quase todas, até agora, de desempenho suspeito.
Entre os próprios marqueteiros, para não falar nos pré-candidatos, existe a convicção de que muitas das pesquisas aparecem com resultados simplesmente inventados. Muitos deles são, claramente, pagos por campanhas interessadas em projetar os nomes de figuras menores ou até de políticos claramente impopulares.
Isso pode até não acontecer em nível nacional ou em casos de favoritismo claro.
Mas são muitas as pesquisas com resultados absurdos ou, muitas vezes, contraditórios entre si.
Há até pesquisas sobre cargos proporcionais, como deputados, quando todo o mercado publicitário sabe que, nesses casos, o número elevado de entrevistas necessário torna inviável organizar pesquisas sérias.
O Distrito Federal não é exceção.
Com frequência, aparecem resultados díspares ou nitidamente alheios à realidade.
Kassio adotou tom de advertência na conversa: disse aos diretores que as pesquisas exercem papel relevante no debate eleitoral e que influenciam o cenário político junto aos votantes.
E alertou ainda que os institutos precisam acompanhar as transformações das metodologias de coleta de dados, além dos novos hábitos de comunicação da sociedade.