Em menos de dois dias de governo, a recém-empossada Celina Leão conseguiu mostrar o estilo que adotará. Ao transferir a sede de administração para o Itapoã, a nova governadora mostrou que havia feito a lição de casa. Sabia todos os dados da cidade e já fizera um reconhecimento da região.
Por exemplo, anunciou a construção de uma UPA de grande porte, nível 2, mas como a obra demora um ano, chamou o presidente da Novacap, estrategicamente levado para ficar a seu lado, mandando que transformasse um galpão já existente em um centro de atendimento de urgência, que serviria durante esse período. Aproveitou para avisar que dali a algumas semanas estaria jogando futevôlei no campinho ali do lado. A seu lado, mostraram que não havia campinho nenhum. Ela respondeu que sim, tinha visto há tempos um amplo terreno baldio, que construiria um campinho nele e, de quebra, chamou a distrital Jane Klebia, que ali tem seu núcleo eleitoral, para avisar que as duas estariam jogando dali a um mês.
Esse, aliás, é outro componente do estilo Celina: ela prestigia o político da região, garantindo assim, durante os atos administrativos, a preservação de sua base. Tudo pensado.
Quem deu a ideia
Pouco após anunciar a medida, a governadora Celina Leão, em publicação numa rede social, disse que a decisão de cancelar a festa de aniversário de Brasília deve-se também ao pedido do presidente do Sindicato dos Médicos, Gutemberg Fialho, de reestruturação dos quadros.
O presidente do SindMédico tinha, na véspera, enviado ofício à então vice-governadora solicitando audiência para tratar de temas com reestruturação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), com reposição salarial e realização de concurso público, entre outros.
Gutemberg foi candidato a distrital na eleição passada, recebeu 11 mil votos, não se elegeu e preparava nova campanha para este ano, com um discurso oposicionista.