A deputada Bia Kicis, sempre ela, quer comandar no Distrito Federal um boicote à marca Havaianas, que vinculou uma campanha publicitária ao tema “não entre no novo ano com o pé direito”. Bia já tem uma resposta na ponta da língua: “Se as Havaianas não nos querem, nos também não queremos as Havaianas”.
No trecho que revoltou a bancada conservadora, a atriz Fernanda Torres dispara: “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar… a sorte não depende de você.
O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés, os dois pés na estrada na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma”. A parte dos “dois pés” foi solenemente desprezada por Bia Kicis. Afinal, para ela, a mensagem que fica é a rejeição ao “pé direito”.
E é, claro, o que os autores da peça publicitária pretenderam também causar, inclusive ao escolher Fernanda Torres, que vem de um ano marcado por sua performance no filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, que lhe valeu uma indicação para o Oscar. Fernanda não venceu, mas a obra, de claro enfoque político voltado para as violências do período ditatorial, fez história ao ganhar o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Nada de bandeirinha nacional

Não só Bia Kicis, mas toda a direita de viés bolsonarista passou a desenvolver uma teoria conspiratória sobre os irmãos Moreira Salles, que são acionistas das Havaianas – e o diretor de Ainda Estou Aqui e um deles, Walter Salles. Bia Kicis distribuiu um vídeo (foto) em que, como reação à peça publicitária, joga um par de sandálias Havaianas no lixo. Seguiu exemplo do ex-colega Eduardo Bolsonaro, que disparou contra a marca e a empresa.
“Eu achava que isso daqui era um símbolo nacional. Eu já vi muito gringo com essa bandeirinha do Brasil no pé. Só que eu me enganei, eles escolheram para ser a garota propaganda da sandália a uma pessoa declaradamente de esquerda”, diz Eduardo em vídeo distribuído a partir dos Estados Unidos.