As projeções são já mais do que conhecidas no Congresso, mas sabe-se que coincidem com as do Planalto. Incluem o Distrito Federal.
Seu ponto mais relevante é a convicção de que, de Minas Gerais e Goiás para o Sul, os governistas não devem eleger um só senador. Uma ou outra chance ainda existe, claro, mas será exceção, caso confirmada.
No Distrito Federal, dava-se como certa a eleição de Ibaneis Rocha (foto) e de Michelle Bolsonaro. O lançamento intempestivo de Bia Kicis pode atrapalhar esse jogo, mas a oposição ainda fica longe.
Basta lembrar a eleição de 2022, em que a oposicionista em melhor posição, a petista Rosilene Corrêa, teve apenas 22% dos votos, enquanto a atual senadora Leila Barros, que tentou o governo, amargou o quinto lugar, com 4,8%.
O eventual racha entre três candidatos governistas, Michelle, Ibaneis e Bia, pode atrapalhar, e muito, mas a distância permanece muito grande.
A oposicionista em melhor posição é a deputada Érika Kokay, que sacrificou uma reeleição garantida para a Câmara, mas alegou motivos pessoais e sabe-se que conseguirá azucrinar a eventual concorrente Michelle de todas as formas possíveis.
Onde ainda há esperanças (foto)

Caso se confirmem as piores expectativas dessas projeções, a oposição pode fazer 20 senadores apenas nesses estados.
Na maioria deles, nem tem candidatos viáveis, casos de Minas Gerais, Mato Grosso ou Santa Catarina.
No Rio Grande do Sul, ainda se fala em Edegar Pretto (foto), atual presidente da Conab, que deu um susto no governador Eduardo Leite e, por menos de 3 mil votos, não foi ao segundo turno.
Mas, para o Senado, agora, parece difícil. Tem muitas ligações com o MST, malvisto por lá, e as circunstâncias estão tão adversas que até o veterano Paulo Paim desistiu de tentar o quarto mandato.
Ainda por cima, PP e PL firmaram uma aliança fortíssima para a sucessão.
O presidente Lula resolveu investir no Paraná, lançando para o Senado uma dobradinha com a ministra Gleisi Hoffmann e o ex-deputado Enio Verri, hoje dirigente de Itaipu.
Mas ambos estão mal nas pesquisas, e o lance tem todo o jeito de um sacrifício para manter ocupado o governador e presidenciável Ratinho Júnior, que pretende lançar um nome de sua confiança contra o favorito Sérgio Moro.
A fraqueza da chapa de Gleisi e Verri fica evidente quando se sabe que o nome para governador é Requião Junior, filho de um ex-governador que perdeu as últimas quatro eleições disputadas, nunca foi além de deputado estadual e nem partido tinha, abrigando-se no PDT à última hora.
Até o Supremo sabe
A convicção de um enfraquecimento dos governistas no Senado chegou até o Supremo Tribunal Federal.
Até os batons da estátua da Justiça sabem que o ministro Gilmar Mendes mexeu na lei do impeachment para elevar o quórum indispensável para a deposição de integrantes do tribunal, passando-a de metade mais um para dois terços dos senadores.
É que, caso se confirmem as previsões alarmantes para o Senado, ficaria muito mais provável a aplicação do impeachment de ministros vistos como leais ao atual governo — e algozes do bolsonarismo.