Uma história política de 104 anos arrisca-se a desaparecer das urnas brasileiras deste ano.
Fundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro está em sua quarta encarnação, depois de passar pelo cisma de criação do PCdoB, de virar PPS e, enfim, Cidadania.
Uma decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, diante de uma grave divisão interna, devolveu o controle do Cidadania ao grupo que, mais à esquerda, pretendia dissolver sua federação com o PSDB e firmar outra, com o PSB.
Assim, retirou da presidência o deputado federal paulista Alex Manente, herdeiro político de Roberto Freire, para nela recolocar o antigo ocupante do cargo, o deputado estadual Comte Bittencourt, do Rio de Janeiro.
Tudo estaria certo, não fosse por um pormenor.
Comte não mais pertence ao Cidadania.
Deixou a legenda, como todos os correligionários que, pressionados pelos prazos eleitorais, pretendiam concorrer este ano.
As principais figuras de sua vertente estão hoje em outros partidos.
A presidência foi para a ex-deputada mineira Luzia Ferreira (foto), militante histórica, administradora da Regional Oeste na Prefeitura de Belo Horizonte, mas hoje isolada de seu grupo político.
A nova direção do Cidadania informou que buscará encerrar a disputa interna pelo comando.
No entanto, o antigo Partido Comunista está hoje sem destino claro pela primeira vez desde 1922.