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Comer Rezando
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Neto Noronha eleva à décima potência o bar do DOC Cucina

Mixologista assina carta inovadora no DOC Cucina com drinques autorais e releituras que justificam cada gole

Max Cajé

12/09/2025 15h34

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Foto: Divulgação

Com o frio finalmente dando sinais de despedida, as noites voltam a ser mais convidativas para brindar com drinques gelados. Antes de retomar o tour por bares que iniciei no começo do ano, vale destacar, aqui na coluna, a nova carta do DOC Cucina — uma surpresa em vários sentidos.

Sob comando do Grupo Rocks, a casa acertou em cheio ao confiar suas receitas ao mixologista Neto Noronha. O resultado é uma seleção que merece visitas repetidas para explorar cada criação. Entre os destaques, o Nobel 1945 (R$ 53), homenagem a Alexander Fleming, descobridor da penicilina, combina bourbon do Tennessee, single malt turfado, óleo saccharum de siciliano, redução de gengibre e mel fermentado com especiarias. O clássico ganha aqui uma versão absolutamente única.

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Foto: Divulgação

O Dry Law (R$ 48) rapidamente entrou para a lista dos meus favoritos: começa picante, passa por notas cítricas e finaliza com um frescor surpreendente, graças ao chá gelado. Já quem prefere drinques mais delicados, com leve dulçor, vai se encantar com o Arsène Lupin (R$ 60). Inspirado no personagem criado por Maurice LeBlanc, ele reúne cognac, limão-siciliano, amaro e um cordial artesanal de maçã com baunilha-do-cerrado, produzido no próprio restaurante.

Outra criação que me agradou foi o Firenze Mule (R$ 41), uma releitura do Moscow Mule que aposta em toques frutados e vínicos, sem abrir mão da acidez que consagrou o clássico. Já o DOC se diferencia ao oferecer, com assinatura de Neto, sua própria versão do Porn Star Martini (R$ 45): redução de maracujá e baunilha-do-cerrado, crusta de sal baunilhado e o indispensável shot de espumante brut.

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Foto: Divulgação

Entre os clássicos que já figuram como minhas escolhas certeiras, o Negroni (R$ 42) está entre os melhores da cidade, enquanto o Fitzgerald (R$ 41) segue perfeito para abrir uma sequência de drinques.

Se você se pergunta como é possível elogiar sem ressalvas drinques a partir de R$ 40, adianto: trata-se menos de preço e mais de valor. Em coluna anterior, questionei a justificativa de bares cobrarem caro por receitas comuns, e a conclusão foi clara: na maioria dos casos, não compensa. Mas, assim como no DOC, no Traçado ou no Lago, a diferença está em oferecer experiências que vão além da simples mistura de destilados e xaropes.

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Foto: Divulgação

É possível perceber, no paladar, o cuidado com a escolha dos rótulos, as reduções que exigem horas ou até dias de preparo, os testes e as experimentações até atingir o ponto certo. Isso envolve tempo, investimento dos proprietários e, sobretudo, dedicação e conhecimento de quem cria as receitas. E esse trabalho merece ser reconhecido — não apenas em aplausos, mas também no valor monetário.

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