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Comer Rezando
Comer Rezando

Catarina Freire brilha fazendo Figa

Inspirado nas tascas portuguesas, o novo bar da chef na Asa Norte une referências ibéricas, brasilidade e uma carta de drinques que merece atenção

Max Cajé

25/09/2026 14h05

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Foto: Divulgação

Apesar de, no ambiente doméstico, o lugar da mulher muitas vezes ser restrito à cozinha, inclusive como uma forma de demérito ou servidão, quando se chega à esfera profissional, conseguimos enumerar poucas operações gastronômicas de renome comandadas por mulheres, sejam elas chefs, empresárias, restaurateurs ou tudo isso ao mesmo tempo.

O mercado de bares e restaurantes, majoritariamente masculino, faz com que elas tenham de se provar em dobro ou em triplo e enfrentar muito mais resistência apenas para mostrar que são tão capazes quanto os homens já consolidados, ou até mais.

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Foto: Divulgação

Para a alegria não só minha, mas de muitos brasilienses, nossa cidade conta com bons exemplos de negócios comandados por elas, que mostram na prática que isso é apenas um conceito ultrapassado. O caso mais recente é o do Figa Tascabar, empreendimento de Catarina Freire inaugurado oficialmente nesta semana, na Asa Norte.

A chef, que já assinou trabalhos no SANTÚ, no MimoBar e no Balcão Vinhos, agora investe em uma charmosa casa, com cardápio enxuto inspirado nas tascas portuguesas, referências ibéricas de tapas e um toque de brasilidade no tempero e na arte de compartilhar.

Para começar, à primeira vista pode parecer clichê indicar pastel, afinal massa frita é praxe em bar, mas esse é diferente, eu juro. A massa é perfeita e crocante, com recheio de jamón ibérico, vinagrete de melão e emulsão de ervas, que traz uma explosão de sabor na boca sem perder o equilíbrio entre o cítrico e a maciez da gordura.

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Foto: Divulgação

Ainda nos tiraditos, o rosbife de picanha, com fatias de picanha ao ponto, creme de milho verde, pipoca e manteiga noisette, tem a cara da cozinha da chef pela construção de camadas e contrastes. Ponto alto do menu para mim, o tiradito de atum curado com granita de tomate, labneh e azeite verde é onde vi o conceito plural, porém bem amarrado, da casa se concretizar em uma receita leve, com um peixe que mostra frescor e um preparo incrível.

Também em versão exclusiva, na seção de sanduíches, a francesinha, ícone da culinária lusitana, vem no pão brioche com entraña, queijo do reino, molho de cerveja preta e fritas.

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Foto: Divulgação

Mas, como nem só de comida vive um bar, a carta de drinques não fica atrás, a começar pela boa execução de clássicos como Fitzgerald, Whisky Sour e Negroni, além dos autorais. Não saia sem pedir o Figa (vodca, licor de jabuticaba, vinho do Porto, purê de jabuticaba, limão e sálvia), com um toque frutado e cítrico que perpassa o paladar, e o Verbena (vodca, vermute de caju, cordial de tomate italiano e manjericão), que me fez inclusive vencer meu ranço de caju, de tão bom que é.

Catarina já fez muita coisa boa, claro, mas o Figa é tão ela, tão genuinamente acolhedor, e imprime uma mistura tão bem calculada que se destaca em sua trajetória.

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