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Ciência da Psicologia
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Asma, emoções e corpo: uma leitura Psicossomática à Luz da Psicologia Científica

Como fatores emocionais, cognitivos e comportamentais influenciam o controle da asma e a qualidade de vida dos pacientes

Demerval Bruzzi (CRP 01/21380)

04/02/2026 15h14

person conducting online psychologist therapy

Foto: Freepik

Por: Demerval Guilarducci Bruzzi – CRP 01/21380
Dr Alfredo Santana, CRM DF 17691 – RQE 9097

A coluna desta semana foi escrita com base em um excelente texto do Dr. Alfredo Santana, pneumologista pela USP, doutor pela USP, fellow da ACCP e atuante na pneumologia em Brasília (https://dralfredo.com.br/pneumologista-brasilia/). Ela, na verdade, abre as portas para outras colunas sobre saúde e psicologia, nas quais serão convidados médicos renomados de Brasília, como o Dr. Alfredo, em suas áreas de atuação, para colaborar e esclarecer às nossas leitoras e leitores as mais diversas informações necessárias para que possamos ter uma boa saúde física, fisiológica e mental.

A asma, tradicionalmente compreendida como uma enfermidade inflamatória crônica das vias aéreas, não pode mais ser reduzida a um fenômeno puramente pulmonar. Desde o avanço do modelo biopsicossocial, proposto por George Engel em 1977, a compreensão das doenças crônicas passou a incluir, de forma integrada, os fatores biológicos, psicológicos e sociais que modulam o curso clínico, a resposta ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes. No caso da asma, essa integração revela-se especialmente evidente, uma vez que os estados emocionais influenciam diretamente a fisiologia respiratória, a inflamação brônquica e o comportamento de autocuidado.

Diversos estudos em psicologia da saúde e imunopsicologia demonstram que emoções como ansiedade, estresse crônico e depressão ativam o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e o sistema nervoso autônomo, alterando a liberação de cortisol, adrenalina e citocinas pró-inflamatórias. Esse mecanismo, descrito por autores como Cohen, Janicki-Deverts e Miller (2007), explica como eventos estressores produzem efeitos diretos sobre a inflamação sistêmica e, no caso da asma, sobre o grau de hiperresponsividade das vias aéreas. Estudos longitudinais mostram que pacientes asmáticos expostos a altos níveis de estresse apresentam maior frequência e gravidade de crises, independentemente da função pulmonar basal (Wright et al., 2004).

Do ponto de vista da psicofisiologia, a ansiedade também altera o padrão respiratório, levando à hiperventilação, à respiração rápida e superficial e ao aumento do tônus do músculo liso brônquico. Esse padrão é descrito por Ley (1985) como um dos principais gatilhos psicogênicos do broncoespasmo. Em situações de ameaça percebida, o organismo entra em estado de alerta, ativando o sistema simpático, o que reduz o limiar para a contração dos brônquios, um reflexo adaptativo que, no contexto da asma, torna-se patológico.

A teoria cognitivo-comportamental ajuda a compreender como esse processo se perpetua. De acordo com Aaron Beck e seus seguidores, indivíduos ansiosos tendem a interpretar sensações corporais de forma catastrófica. Em pacientes asmáticos, pequenas variações na respiração podem ser percebidas como sinais iminentes de sufocamento, desencadeando pânico, hiperventilação e, paradoxalmente, piora real da obstrução brônquica. Estudos mostram que o medo antecipatório da crise é um dos maiores preditores de exacerbações (Ritz et al., 2013).

Esse fenômeno também é descrito por Franz Alexander, um dos fundadores da psicossomática moderna, que já apontava a asma como uma doença fortemente modulada por conflitos emocionais ligados à ansiedade de separação, dependência e medo. Embora sua abordagem psicodinâmica tenha sido atualizada, pesquisas contemporâneas confirmam que traços de neuroticismo, ansiedade de apego e dificuldades de regulação emocional estão associados a pior controle da asma (Di Marco et al., 2010).

Outro elemento central é a adesão ao tratamento. A psicologia da saúde demonstra que sintomas depressivos e sobrecarga emocional reduzem significativamente o engajamento em rotinas de autocuidado. Pacientes com depressão usam menos inaladores de manutenção, faltam mais às consultas e têm menor percepção de autoeficácia, conforme descrito por Bandura (1997). Meta-análises publicadas no Journal of Psychosomatic Research mostram que a depressão dobra o risco de não adesão ao tratamento em doenças respiratórias crônicas (DiMatteo et al., 2000).

Além disso, o medo das crises frequentemente leva à evitação de esforço físico, de atividades sociais e até de sair de casa. Do ponto de vista da psicologia comportamental, isso configura um padrão de esquiva reforçada negativamente. Ao evitar situações temidas, o paciente reduz momentaneamente sua ansiedade, mas aumenta o empobrecimento da vida, o isolamento social e, a longo prazo, a vulnerabilidade emocional. Esse ciclo é amplamente descrito por Hayes e colaboradores na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e tem sido observado em pacientes com asma grave (McCracken et al., 2012).

Por outro lado, a psicoeducação e o acesso à informação confiável exercem efeito protetor. Estudos publicados na Cochrane Database of Systematic Reviews mostram que programas de educação em asma reduzem significativamente internações, uso de emergência e ansiedade relacionada à doença (Gibson et al., 2002). Isso ocorre porque o conhecimento aumenta o senso de controle, reduz a interpretação catastrófica dos sintomas e melhora a adesão ao tratamento, mecanismos diretamente alinhados à teoria do coping de Lazarus e Folkman.

Nesse sentido, iniciativas de divulgação científica e orientação médica, como as desenvolvidas pelo pneumologista Dr. Alfredo Santana em Brasília, cumprem papel essencial dentro do modelo de cuidado integral. Ao fornecer informação clara, acessível e baseada em evidências, reduz-se o medo, melhora-se a relação do paciente com sua doença e fortalece-se sua capacidade de manejo emocional e comportamental da asma.

Portanto, à luz da psicologia científica contemporânea, a asma deve ser compreendida como uma condição em que corpo, emoção e cognição formam um sistema integrado. Tratar apenas os pulmões é, muitas vezes, insuficiente. Avaliar estresse, sono, padrões de pensamento, suporte social e saúde mental não é um complemento, mas um componente central do tratamento. Quando esses elementos são adequadamente abordados, a asma deixa de ser uma sentença limitante e passa a ser uma condição controlável, permitindo, como enfatiza o Dr. Alfredo Santana, uma vida plena, ativa e funcional.

Por fim, Dr. Alfredo Santana reforça: asma bem tratada permite vida plena e ativa. Conheçam um pouco do Dr. Alfredo acessando: https://dralfredo.com.br/pneumologista-brasilia/

Até a próxima…

  • Referências científicas (seleção)
  • Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. New York: Freeman.
  • Beck, A. T., & Clark, D. A. (1997). An information processing model of anxiety. Behaviour Research and Therapy, 35(1), 49–58.
  • Cohen, S., Janicki-Deverts, D., & Miller, G. E. (2007). Psychological stress and disease. JAMA, 298(14), 1685–1687.
  • Di Marco, F. et al. (2010). Anxiety and depression in asthma. Current Opinion in Pulmonary Medicine, 16(1), 39–44.
  • DiMatteo, M. R. et al. (2000). Depression is a risk factor for noncompliance. Journal of Psychosomatic Research, 48(2), 109–120.
  • Engel, G. L. (1977). The need for a new medical model. Science, 196(4286), 129–136.
  • Gibson, P. G. et al. (2002). Self-management education and regular practitioner review. Cochrane Database of Systematic Reviews.
  • Ley, R. (1985). Agoraphobia, panic attacks, and hyperventilation. Behaviour Research and Therapy, 23(1), 79–81.
  • Ritz, T. et al. (2013). Asthma and emotion. Chest, 143(2), 457–467.
  • Wright, R. J. et al. (2004). Stress and asthma. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, 169(2), 213–218.

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