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Analice Nicolau
Analice Nicolau

Xuxa completa 60 anos como a maior artista do Brasil e com legado histórico

A rainha dos baixinhos inaugurou o termo ‘babá eletrônica’ no Brasil, em uma época em que o “Xou da Xuxa” era o único entretenimento que prendia a atenção das crianças na televisão

Analice Nicolau

26/03/2023 8h00

Atualizada 24/03/2023 17h44

Ela nasceu Maria das Graças Xuxa Meneghel. Não foi no Rio, por acaso foi em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, no dia 27 de março de 1963, ano em que o Brasil escolheu que deveria deixar o parlamentarismo e voltar ao presidencialismo com João Goulart.


Aos sete anos, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família, onde cresceu ao lado dos quatro irmãos. O nome “Xuxa” foi um apelido recebido pelo irmão Bladimir, sorte a dela, porque acabou se tornando seu nome profissional e uma grande marca de sucesso.


Por sua beleza exuberante, iniciou a carreira artística aos 15 anos como modelo, contraditoriamente, em uma época em que o presidente Ernesto Geisel encaminhava ao Congresso uma emenda para acabar com o AI-5, o Ato Institucional cheio de abusos que contrariava a Constituição Federal.


A década de 1980 no Brasil foi marcada por muitas mudanças, como o início do processo de abertura política, após longo período de ditadura militar que marcou a década e a inflação no país chegou ao patamar histórico e recorde, de 100%. Era o caos. Não na vida dela.


Para Xuxa a história era outra. A loira conquistou o coração do eterno rei Pelé e o casal era presença frequente em eventos badalados e capa de inúmeras revistas famosas da época. Em 1983, ano que começou o movimento “Diretas Já” e ainda no período de ditadura militar, enquanto uns sofriam dura perseguição, a sorte lhe sorriu e Xuxa recebeu um convite da extinta TV Manchete, e se tornou apresentadora de televisão no comando do programa “Clube da Criança”.


Em 1986, um ano após o fim da ditadura no Brasil e do período das censuras, a apresentadora foi para a TV Globo e estreou o “Xou da Xuxa”, programa infantil de grande sucesso que mudaria para sempre sua vida e sua história.


Xuxa se revelou uma grande estrela, se tornou a “Rainha dos Baixinhos” e viveu o seu auge. Passou a atuar em filmes, fazer shows internacionais e a gravar inúmeros discos.


Em 1988, ano em que foi promulgada a nova Constituição brasileira, a Rainha se tornou uma das cantoras que mais vendeu discos no Brasil, e entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes, com a venda de mais de três milhões de cópias do álbum “Xou da Xuxa 3”.


O ano de 1988 foi um ano de sorte. A bela começou a namorar o piloto de Fórmula 1 e campeão mundial, Ayrton Senna. E por falar em sorte, sorte a dele também.


Com o passar dos anos, Xuxa foi migrando seus programas para o público mais velho, numa tentativa de acompanhar o crescimento de seus baixinhos. A apresentadora comandou pelo menos mais cinco programas, até encerrar sua trajetória na TV Globo com o “Planeta Xuxa”.


Em 2015, estreou na TV Record, onde estreou com um programa que recebeu seu nome. O “Xuxa Meneghel” ficou no ar de 2015 a 2016. Na emissora, a apresentadora apresentou o “Dancing Brasil”, “Geração Xuxa”, “The Four Brasil” e “Canta Comigo”. Até que, no ano de 2020, resolveu não renovar o seu contrato com a emissora.


O retorno à TV Globo aconteceu no ano seguinte, como jurada convidada no “Show dos Famosos” e depois desse, outros projetos surgiram, como seu documentário que será exibido em breve no Globloplay.


A história de Xuxa começou com o apelido dado pelo irmão e com milhares de baixinhos na frente da televisão, religiosamente todas as manhãs, aguardando sua rainha descer da nave. Xuxa era sim, a babá eletrônica que entretinha as crianças ao passo que mães, pais, avós e tantos outros cuidavam de seus afazerem com a certeza que os filhos estavam felizes e em “boas mãos”.


A apresentadora se tornou a referência máxima para a geração que cresceu na década de 80 e que hoje lembra saudosa e carinhosamente de uma infância mais saudável e tranquila, que provoca nostalgia e inquietação.


A artista deixou um legado para uma geração de crianças, pais, avós e tantos outros que viveram o “efeito Xuxa dos anos 80”. Nenhuma outra apresentadora brasileira foi capaz de impactar tanto a vida de tantas crianças e de construir um nome tão sólido e consistente como Xuxa fez. O nome Xuxa virou uma marca segura e confiável.


A história de Xuxa se funde com a história de um país que atravessou ditadura, retorno à democracia, economia em colapso, troca de moeda, crises, atentados, golpes, abusos, mas, que permaneceu resistente com o olhar fixo e esperançoso para o futuro melhor.


Xuxa guardou no coração a experiência como Rainha e seguiu a vida com o mesmo pensamento de sempre: transmitir a força e a potência de ser quem é. Longe dos palcos ela é uma mulher que as crianças jamais podem imaginar: firme, séria, responsável, competente, comprometida e dona de uma forte opinião.


Xuxa não vive de um personagem criado na década de 1980 e que se arrasta insustentavelmente 40 anos depois. Xuxa soube se transformar, se atualizar, se adaptar. Xuxa entende seu papel no mundo, seu papel social, seu papel como mulher, seu papel como mãe, como empresária, como eleitora. Xuxa empreende sua força de maneira sensata e assertiva.


Xuxa é invariavelmente cirúrgica com as palavras e totalmente necessária. A sessentona não é do tipo arroz de festa. Xuxa é exclusiva e importante. Amiga fiel de seus amigos e inimiga leal de seus desafetos. Xuxa é empoderada, sabe seu lugar e seu valor.


Xuxa é perfeccionista e exala perfeição em tudo o que faz. Trabalhar com ela é se tornar melhor todos os dias ou desistir sem ao mesmo ter tentado. Xuxa é compaixão, companheirismo e doação. A Xuxa da Fundação é a mesma da perfeição. Aquela que se entrega, que exige, que também ajuda, com o mesmo amor e compromisso de sempre.


Xuxa é como o Brasil, que depois de ter acreditado em tantas falsas promessas, depois de ter sido maltratado e saqueado, segue buscando forças para encontrar sua melhor forma e assim, ser o porto seguro para tantos. Xuxa é a estrela que o Brasil faz questão de ver brilhar. Xuxa é luz que brilha e aquece o coração de baixinhos e grandinhos. Xuxa é patrimônio imaterial do Brasil. Xuxa é a eterna Rainha de todos nós.

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