A consagrada repórter da Rede Globo, Neide Duarte, deixou a emissora oficialmente, no início desta semana. Em carta aberta, ela afirmou que irá “morrer de saudade”.
Com mais de quatro décadas na Globo, Neide uma das veteranas em São Paulo. Recentemente, ela estava atuando no Globo Rural e já havia conquistado o reconhecimento até mesmo através de premiações.

Neide Duarte era uma das veteranas do jornalismo da redação Globo em São Paulo. (Foto: Reprodução)
A jornalista iniciou a carreira na emissora ainda na década de 1980. Ao longo de 16 anos, registrou passagens em telejornais como: SP1, Jornal Nacional, Jornal Hoje e Bom Dia Brasil. Também foi repórter especial do Fantástico e Globo Repórter.
Neide deixa a televisão com uma mensagem de gratidão pelos anos que esteve no contando diversas histórias.
Confira na íntegra:
“Entrei na TV Globo de SP em 1980 como repórter. Saio agora, 42 anos depois ainda como repórter. Ser repórter foi sempre o que eu quis ser. Assim como as abelhas novas, que ao sair pela primeira vez da colmeia, saem de costas e ficam paradas no ar por um tempo até guardar na memória o desenho da casa onde moram, para conseguir voltar depois, eu também fui saindo aos poucos, de costas, para guardar para sempre aquela imagem de alegria, excitação e entusiasmo, que enxerguei um dia na redação da TV Globo de SP.
A redação da Praça Marechal Deodoro, nos anos 1980, foi das melhores em que trabalhei. Era uma concentração de talentos, jornalistas vindos de jornais impressos, de revistas e de outras emissoras de TV. Com eles aprendi a escrever. Aprendi que era melhor ser simples do que barroca, despretensiosa do que solene.
Aprendi a errar. Aprendi que está na rua a essência do ofício do jornalista. Aprendi que repórter não trabalha para agradar ninguém, nem chefia, nem torcida. E assim nunca espera reconhecimento.
Aprendi que repórter não pode perder o rumo da matéria diante da euforia coletiva ou da tragédia. O que a gente leva dessas reportagens, para sempre, é a alegria ou a dor dos outros. E depois viramos outras pessoas, transformadas por aqueles acontecimentos. É um trabalho, mas parece com a vida. Aprender leva tempo e agora, depois de 42 anos, sinto que estou no caminho certo, pronta para continuar o aprendizado.

Ela compartilhou a foto do início de carreira nas redes sociais junto à carta aberta (Foto: Reprodução)
Não posso ir embora sem antes agradecer. E preciso agradecer a centenas de pessoas a quem devo tudo que aprendi e que espero não esquecer. Antes de tudo, agradeço a todos os repórteres cinematográficos com quem trabalhei. É com eles, na rua, que o repórter aprende a ser repórter e a encontrar seu lugar na equipe. Obrigada Hugo de Sá Peixoto, Marco Antonio Gonçalves, Nilson Araújo, Américo Figueiroa, Wilson Araújo, Caue Angelini, Ricardo Vital, Thiago Capelle, Douglas Campos, Jorge dos Santos, Francisco Mafezzoli Jr, Moacir Mendonça, Abiatar Arruda, Reinaldo Cabrera e outros tantos queridos…
Obrigada Anderson, Dantas, Marcão, Gentil e a todos os operadores de áudio.
Obrigada aos técnicos que carregavam os antigos Vídeo Tapes pesadíssimos no tempo do U-matic, Santiago, Camacho, Niltinho Mochila, Claudinei, Luizinho, Francischetti, Reginaldo, Mustafá…
Obrigada Hildebrandão de Lima, Bigode, Valdir, Roque, Capacete, Maurício e todos os motoristas, diretores das nossas aventuras nas valentes Veraneios.

A repórter agradeceu aos colegas de trabalho que colaboraram com a sua carreira ao longo dos anos (Foto: Reprodução)
Obrigada João Paulada, ‘resolvedor’ de todos os problemas da redação.
Obrigada a todas as secretárias, a todas as telefonistas do tempo em que ainda existiam telefones com fio. Obrigada a todas as mulheres e homens que, na redação, tiraram o pó das nossas mesas, deram brilho ao nosso chão.
Obrigada ao pessoal do departamento de Artes. Obrigada, Bira, Maurinho, Fabíola. Obrigada turma da apuração, da antiga rádio escuta. Obrigada Wagner Vallim. Obrigada ao pessoal do arquivo de imagens, aos antigos e aos novos zelosos guardadores da nossa história”.