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Analice Nicolau
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Você já foi “vítima” de despreparo médico no sistema público ou privado?

Para Dr. Wilderi Sidney, especializado em saúde pública, profissionais não recebem formação adequada

Analice Nicolau

22/09/2022 13h00

Segundo uma pesquisa realizada pelo Ipec/Globo, pacientes das redes pública e privada enfrentam muitos problemas em relação aos atendimentos médicos. O levantamento feito com 2 mil pessoas, revelou que as principais queixas são, além da superlotação de hospitais, emergências e pronto-atendimentos, a falta de profissionais e a demora para a realização de exames, os entrevistados apontaram o despreparo médico como um dos grandes gargalos do setor. De acordo com o médico especialista em saúde pública, Dr. Wilderi Sidney Guimarães, a reclamação faz sentido.

Dr. Wilderi Sidney Guimarães

Guimarães, com passagens por redes públicas e privadas, explica que a falta de preparo para o atendimento começa porque o profissional não recebe uma formação adequada na universidade. “Primeiramente, o profissional médico não recebe, dentro da faculdade de medicina e nem na residência médica, a formação necessária para atender bem um paciente. Somos ensinados a fazer diagnóstico e indicar tratamentos, mas não aprendemos a lidar com o público de forma humanizada. A maioria dos médicos não faz um mal atendimento de propósito, mas porque ele foi ensinado assim, a diagnosticar uma lesão ou patologia e não a cuidar de uma vida”, afirma.

Outro ponto que contribui para a reclamação dos usuários é a rotina extenuante dos profissionais. Guimarães lembra que muitos médicos possuem mais de um vínculo empregatício e vivem de plantões em hospitais e emergências. “Isso acaba deixando o profissional extenuado e estressado”, opina. Mas para ele, esse gargalo tem solução. “Além do investimento em planos de carreira por parte dos planos de saúde e do sistema público para esses profissionais, o médico também precisa buscar conhecimento sobre atendimento humanizado” destaca.

Falta de preparo para o atendimento começa porque o profissional não recebe uma formação adequada na universidade, de acordo com Wilderi Guimarães

Sobre os outros problemas apontados no levantamento, Guimarães também crê que são passíveis de serem resolvidos. “A pesquisa apontou para a demora em conseguir consultas e exames e para a superlotação de hospitais e emergências. Esses são um gargalos que têm origem na falta de investimentos que se faz na atenção primária no Brasil. Quando a gente fala de atenção básica, a coisa mais importante é fazer um atendimento preventivo, para que o profissional consiga indicar outros cuidados, como mudança de hábitos, para que o paciente não precise de atendimentos mais complexos. Nos países desenvolvidos, onde a atenção básica funciona, isso desafoga o sistema secundário e terciário. Aqui no Brasil, como a pesquisa mostra, estamos distantes dessa realidade”, finaliza.  

Despreparo médico é um dos grandes gargalos da Saúde

A pesquisa do Ipec/ Globo ouviu duas mil pessoas das classes A, B e C e com mais de 16 anos das entre os dias 20 e 27 de julho pela internet. O intervalo de c

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