Os Estados Unidos estão investigando seus dois primeiros casos de uma cepa “preocupante” de gonorreia “superforte” e resistente a uma variedade de antibióticos. Os dois pacientes, que não foram identificados, são de Massachusetts e não viajaram recentemente, o que leva a crer que a doença foi contraída no estado.

Também não há conexão entre ambos, sugerindo que a infecção sexualmente transmissível (DST) está se espalhando. A cepa já havia sido detectada no Reino Unido e na Áustria. Nos Estados Unidos, a gonorreia é a segunda DST mais comum, com cerca de 700 mil novos casos por ano. No Brasil, ela é considerada muito comum, com mais de 2 milhões de casos por ano.
A Dra. Rita Piscopo, ginecologista e Vice-presidente da AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil, explica que a gonorreia é uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível), causada por uma bactéria, com transmissão durante a prática do sexo desprotegido, sem camisinha, por via vaginal, anal ou oral. Uma nova cepa (variante) responsável por essa doença foi detectada anteriormente na Ásia e Reino Unido (2021/ 2022), e agora pela primeira vez em 2 casos nos Estados Unidos.
“A grande preocupação em relação a isso, é que essa nova cepa é muito resistente aos tratamentos antibióticos habitualmente empregados. O que alertou as autoridades médicas mundiais para que as políticas de informação e prevenção sejam intensificadas”, alerta a ginecologista.

A gonorreia é a segunda IST, mais frequente no mundo, no Brasil estima-se 500 mil novos casos a cada ano. Essa infecção pode causar vários danos à saúde, e nas mulheres pode ser a responsável pela infetilidade. “As lesões nos órgãos reprodutores, principalmente nas tubas uterinas, podem impedir definitivamente a gravidez natural, sendo necessário recorrer às técnicas de reprodução assistida para conseguir a gestação”, destaca Rita.
Os exames de detecção de ISTs fazem parte da rotina ginecológica da mulher, e a prevenção deve ser feita praticando sexo seguro, com o uso de preservativos, em todas as formas de contato íntimo. “Outro ponto importante está relacionado ao uso de medicamentos sem prescrição médica (automedicação), podendo não resolver o problema em questão, e colaborar para o desenvolvimento da resistência antibiótica de várias doenças”, finaliza a médica.