Em um bate-papo sincero e descontraído com o psicólogo Francesco Pellegatta no Instagram, Tiago Santiago falou sobre a trajetória profissional, os planos para o futuro e comentou ainda sobre a parte cultural no Brasil.

Tiago Santiago conversou com Francesco Pellegatta sobre a situação da cultura brasileira atualmente
Com várias novelas de sucesso no currículo, como a trilogia ‘Mutantes’ e ‘A Escrava Isaura’, Tiago se mostrou triste com a forma em que a área cultural tem sido tratada no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro. Durante a entrevista, ele comentou sobre a importância da Lei Rouanet não apenas para a cultura, mas também para economia do país.

Com várias novelas de sucesso no currículo, como a trilogia ‘Mutantes’ e ‘A Escrava Isaura’, Tiago se mostrou triste com a forma em que a área cultural tem sido tratada no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro
“Nós vivemos um momento difícil do ponto de vista do governo e da administração da cultura no Brasil. A indústria cultural vivia muito da Lei Rouanet, em que os projetos culturais aprovados, recebem um incentivo fiscal. Os patrocinadores direcionam parte do que teriam de pagar de imposto para financiar a cultura. Matematicamente, esse incentivo fiscal retorna com uma porcentagem ainda maior pela movimentação que essa indústria gera. Aquele benefício fiscal que o governo deixou de receber, vai para shows, filmes, séries e patrocínio de espaços culturais, tudo isso movimenta a economia de uma tal forma que o imposto volta ainda maior”, pontua.

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Com alterações na Lei Rouanet e muita dificuldade para lançamento de filmes de cunho social no Brasil nos últimos anos, Tiago compara a gestão da cultura no governo Bolsonaro, como a de Fernando Collor, entre 1990 e 1992.
“Essa indústria foi quebrada e golpeada no governo Bolsonaro, é uma pena isso ter acontecido. Faço um paralelo do que aconteceu na gestão do governo Collor, quando fecharam a Embrafilme, pois também é trágico o que está acontecendo. É uma coisa horrorosa, principalmente quando é algo que está ideologicamente desalinhado com o governo, seja na questão LGBT ou até, por exemplo, a questão do Wagner Moura que teve uma grande dificuldade de colocar ‘Marighella’ em cartaz. É uma situação muito difícil para cultura”.
O diretor disse que gostaria muito que a educação brasileira fosse tão boa quanto a dos Estados Unidos, pois isso pode refletir muito na cultura. Apesar de uma educação pública falha, Tiago afirmou que o país é rico de uma cultura popular encantadora, mas que poderia crescer ainda mais com uma boa educação e um governo que apoiasse a área.