O Sudeste é a região do país que mais registrou roubos de cargas nas rodovias brasileiras. Segundo dados que são coletados anualmente pela Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística (NTC&Logística), 82% dos incidentes acontecem nas estradas desta região, seguido pelo Sul (6,82%), do Nordeste (5,44%), do Centro-Oeste (3,66%) e do Norte (1,42%).
Já em números gerais, o total de registros de roubos de carga cresceu 1,7% entre 2020 e 2021, passando de 14.150 para 14.400. O cálculo da NTC&Logística estima que o prejuízo causado pelos crimes foi de aproximadamente R$1,2 bilhões.

O presidente e fundador da Korsa, corretora de seguros especializada em gerenciamento de riscos e serviços logísticos, James Theodoro, lamenta os altos índices que afetam a economia do país e em especial o setor de transportes. “Gostaríamos que os órgãos de segurança pública investissem mais no combate às quadrilhas, atuassem com maior eficácia nos locais onde os roubos são praticados”, comenta.
James cita, inclusive, que de acordo com relatórios apresentados na reunião realizada na segunda-feira (19) pela NTC&Logística, a tendência é de que os registros de roubos de carga aumentem em 5% ao final deste ano em relação a 2021. “O lado positivo é que na mesma reunião foi informado que estados como Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Rio de Janeiro apresentaram uma redução deste problema”, disse James.
Em busca de mais respaldo, muitos profissionais da área estão recorrendo a seguradoras. De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), no primeiro semestre deste ano, o volume de entradas no Seguro de Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário (RCTR-C) e no Seguro de Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário (RCF-DC) aumentou 21% em relação ao mesmo período de 2021. Mas quais são os tipos de carga mais buscados pelos criminosos?

Segundo dados exclusivos da Korsa, de janeiro a agosto deste ano, 80% dos pedidos de cotação à corretora foram de transportadores, enquanto 20% foram da indústria e comércio varejista. Ainda de acordo com a empresa, as mercadorias mais transportadas são alimentos, bebidas, grãos, fertilizantes, medicamentos, cosméticos, ferro, aço, partes e peças da indústria petrolífera.
“Má conservação das estradas, falta de fiscalização, alto índice de roubo de cargas, informalidade, tratamento desumano com os carreteiros autônomos. São apenas alguns dos pontos que precisam ser enfrentados e de forma continuada ”, questiona James, que ressalta a importância do segmento para a economia brasileira.