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Analice Nicolau
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Sobrecarga, falta de reconhecimento e ausência de remuneração: o desafio das cuidadoras familiares de idosos

Estudo revela o drama das cuidadoras familiares de idosos no Brasil

Analice Nicolau

31/07/2023 11h00

Um estudo inédito realizado pelo Itaú Viver Mais em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) traz à tona as dificuldades enfrentadas pelas cuidadoras familiares de idosos no Brasil.

O estudo, intitulado “Envelhecimento e Cuidado: Estudo sobre Cuidadoras Familiares de Pessoas Idosas”, revela a realidade pouco discutida dessas mulheres, que se dedicam diariamente ao cuidado de idosos em seus lares, enfrentando sobrecarga emocional, exclusão do mercado de trabalho e falta de reconhecimento monetário pelo seu trabalho essencial.

A pesquisa, realizada em maio deste ano com a participação de 11 cuidadoras familiares residentes em São Paulo, entre 30 e 65 anos, buscou compreender os impactos socioemocionais dessa função de cuidado exercida informalmente no ambiente doméstico. Os resultados são alarmantes e mostram que o cuidado familiar é, em sua maioria, assumido por mulheres, que relataram diversas dificuldades decorrentes dessa responsabilidade.

A sobrecarga emocional foi um dos pontos mais evidentes nas entrevistas. As cuidadoras se veem constantemente dedicando-se ao cuidado dos idosos, enquanto negligenciam suas próprias necessidades e bem-estar. Muitas delas sentem-se isoladas socialmente e vivenciam uma sensação de luto antecipado, devido à dedicação integral ao idoso em questão.

Além disso, a pesquisa destaca que as cuidadoras enfrentam desafios profissionais e financeiros. A exclusão do mercado de trabalho é uma realidade para muitas delas, que precisam abrir mão de suas carreiras para assumir o papel de cuidadoras em tempo integral. Essa situação resulta em instabilidade financeira e torna as cuidadoras dependentes de outros membros da família, até mesmo para suas necessidades básicas.

Outro aspecto preocupante é a falta de reconhecimento monetário pelo trabalho realizado. Apesar do cuidado familiar ser uma demonstração de afeto e amor entre quem cuida e é cuidado, a ausência de remuneração leva a um desequilíbrio financeiro nas vidas dessas mulheres, que dedicam seu tempo e energia ao cuidado dos idosos sem receberem compensação por esse esforço.

Bruno Crepaldi, superintendente de Relações Institucionais do Itaú Unibanco, ressalta a importância do estudo para chamar a atenção para essa questão pouco discutida na sociedade. Ele destaca a necessidade de criar políticas públicas e serviços que promovam o envelhecimento com qualidade, incluindo programas de cuidados de saúde personalizados e serviços comunitários.

Priscila Vieira, pesquisadora do CEBRAP e coordenadora do estudo, também enfatiza a relevância dos resultados. Ela destaca como o cuidado familiar de idosos recai predominantemente sobre as mulheres, criando mais uma camada de desigualdade de gênero na sociedade. Priscila ressalta a urgência de tratar o cuidado das pessoas idosas não apenas como uma questão de afeto e obrigação, mas sim como uma responsabilidade da sociedade como um todo.

O relatório completo do estudo está disponível para download no site oficial do Cebrap, e espera-se que os resultados dessa pesquisa possam incentivar a reflexão e ações que promovam o apoio e o reconhecimento necessário para essas mulheres que dedicam suas vidas ao cuidado de idosos em suas famílias.

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