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Analice Nicolau
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Síndrome da impostora em mulheres negras – culpa ou medo de errar?

Condição psicológica de carácter multifatorial atrapalha e faz com que mulheres se sintam não merecedoras de seu sucesso ou realizações por medo de ser exposta como uma fraude

Analice Nicolau

01/04/2023 10h00

A síndrome da impostora se caracteriza por uma condição em que a pessoa se autossabota porque acredita que é incompetente ou insuficiente. Para Shenia Karlsson, psicóloga clínica, especialista em diversidade e escritora, é comum pensar que somente o acompanhamento psicológico e a psicanálise podem ajudar, mas esses questionamentos que fazem tantas mulheres duvidarem de si mesmas estão enraizados em outras questões.


A exemplo disso, podemos pensar como as mulheres foram socialmente construídas e as marcas históricas do machismo e sexismo em suas vivências e os impactos destes atravessamentos nos novos espaços que ocupamos, tal como o próprio mercado de trabalho.


A síndrome da impostora é uma condição psicológica de carácter multifatorial, em que a mulher é incapaz de introjetar de forma positiva suas capacidades e habilidades, e, em consequência disso, sente-se não merecedora de seu sucesso ou realizações e tem medo de ser exposta como uma fraude.
Embora a síndrome da impostora possa afetar qualquer pessoa, independentemente de gênero, raça ou etnia, a síndrome da impostora da mulher negra é um fenômeno específico que se refere às experiências únicas que muitas mulheres negras enfrentam em relação a suas realizações profissionais e acadêmicas.
O conjunto de características que a síndrome reúne dilui-se às condições sociais construídas pelo racismo estrutural submetendo mulheres negras a experiências de interdição, deslegitimização, exclusão e submissão.


“A mulher negra carrega marcas traumáticas e ancestrais, precisamos provar o tempo todo que somos capazes. As oportunidades para a mulher negra são completamente diferentes das que surgem para outras mulheres. E com isso, a síndrome da impostora está cada vez mais aflorada em nós”, afirma Shenia.


As mulheres negras muitas vezes enfrentam desafios adicionais em suas carreiras, incluindo discriminação racial e de gênero, falta de representação e oportunidades limitadas de progressão na carreira. Isso pode levar a sentimentos de inadequação, mesmo quando essas mulheres alcancem o sucesso, elas são frequentemente questionadas em suas capacidades, não são vistas como inteligentes ou mais qualificadas do que realmente são e que em algum momento serão expostas ao escrutínio público.

É importante reconhecer que a síndrome da impostora é real e pode ter um impacto significativo na vida das mulheres negras. Profissionais de saúde mental devem considerar para além da questão de género, a questão racial. Já os empregadores devem estar cientes da responsabilidade em criar ambientes minimamente seguros e realmente inclusivos que promovam a autoestima e o sucesso das mulheres negras de forma real. Isso pode incluir o fornecimento de mentoria e treinamento, a promoção da diversidade e inclusão no local de trabalho através de letramento racial e o fornecimento de recursos para ajudar as mulheres negras a superar ou amenizar os efeitos da síndrome da impostora.

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