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Analice Nicolau
Analice Nicolau

Seu Jorge e a voz que une mundos pela música

Colunista Analice Nicolau

12/09/2025 18h00

Seu Jorge

Homenagem da BrazilFoundation em Nova York enaltece uma carreira que conecta cultura, diálogo e impacto social

No próximo dia 18 de setembro, o Plaza Hotel, em Nova York, será palco de uma celebração que transcende premiações e aplausos. A BrazilFoundation, que completa 25 anos de trabalho voltado à transformação social no Brasil, homenageará o cantor, ator e ativista Seu Jorge com o 2025 Global Brazilian Award. A escolha parece óbvia diante da trajetória de um artista que fez da música não apenas expressão, mas ponte entre realidades distintas.

Mais de três décadas separam os primeiros passos de Seu Jorge no samba carioca das recentes apresentações no Royal Albert Hall e no Madison Square Garden. Entre uma ponta e outra dessa história, construiu-se uma carreira que não se restringe ao talento musical, mas se projeta como símbolo de resistência, representatividade e arte viva. Ao lado de sua obra, soma-se o engajamento social: Seu Jorge é também CEO da Black Service, iniciativa que valoriza e abre espaço para artistas pretos na indústria cultural, dando voz a quem tantas vezes foi silenciado.

Seu Jorge

Esse reconhecimento dialoga diretamente com o espírito do nosso tempo. Segundo dados da Unesco, a economia criativa representa hoje cerca de 3% do PIB global e gera mais de 30 milhões de empregos no mundo. Quando artistas como Seu Jorge conquistam visibilidade internacional, não apenas a cultura brasileira se fortalece, mas também a percepção de que arte e desenvolvimento caminham juntos – unindo impacto econômico, social e simbólico.

De um lado, observa-se a construção de projetos musicais ousados, como o recém-lançado “Baile à la Baiana”, que marca o retorno de Seu Jorge a um álbum de inéditas após uma década. De outro, sua atuação política e social dá concretude à ideia de que cultura não é ornamento, mas ferramenta de transformação. É nesse ponto que a homenagem ganha contornos maiores: reconhecer um artista é, em última análise, reconhecer a potência de um país que se expressa pela sua diversidade.

Seu Jorge

Ao leitor brasileiro, o que fica dessa história são alguns movimentos claros para refletir: compreender que nossa identidade cultural é um patrimônio vivo; apoiar iniciativas que ampliem oportunidades para novos artistas; valorizar a filantropia como prática cidadã; enxergar na arte um meio de diálogo onde muitas vezes a política falha; e, por fim, aproximar essa consciência do cotidiano, lembrando que pequenos gestos coletivos ampliam grandes mudanças.

Quando a BrazilFoundation, que já investiu mais de US$ 53 milhões em projetos sociais desde 2000, escolhe Seu Jorge para receber essa distinção, ela envia também um recado: a força transformadora da cultura brasileira continua sendo um dos nossos maiores trunfos diante do mundo.

Celebrar Seu Jorge nesse palco internacional é celebrar também o Brasil que sonha, resiste e reinventa-se diariamente. Que possamos, cada um dentro da nossa realidade, manter viva essa chama — porque a arte é sempre convite para agirmos com mais humanidade.

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