Neste sábado (17), a jornalista Ana Claudia Guimarães entrevistou dona Nídia Almeida, mãe de Pedro Machado Lomba Neto, o Pedro Dom. Nascido e criado na zona sul do Rio de Janeiro, o rapaz começou a roubar casas de luxo após ter se viciado em cocaína, ainda na adolescência. Sua história ganhou destaque após a Amazon Prime Video lançar, no dia 04 de junho, o seriado Dom, produzida pela Conspiração Filmes e que rapidamente alcançou sucesso internacional.
O seriado retrata a história de Pedro Dom, dependente químico que ficou conhecido como um dos maiores criminosos do Rio de Janeiro, e seu pai, Victor Dantas, um policial que dedica sua vida à luta no combate às drogas. No entanto, segundo a família de Pedro, a história contada na série é romantizada e mentirosa, fazendo com que Victor seja retratado como um pai herói, quando na verdade, segundo sua ex-mulher dona Nídia, Victor era um homem violento e cruel.
A profissão do ex-marido, falecido em 2018, também foi romantizada, pois Victor não foi um policial respeitado, mas sim expulso da corporação por integrar um grupo de extermínio. Na live com Ana Claudia, a mãe de Pedro fala sobre sua tristeza em ver como o filho está sendo retratado e em como sua decisão como mãe não foi respeitada, uma vez que se posicionou – e recorreu judicialmente – contra a produção da série. Breno Silveira, diretor da série, tem rebatido as opiniões da família alegando: ”sempre achei que pai e filha [uma outra filha de Victor] tinham o direito de querer levar essa história adiante, e assim foi feito”.
Observando pela visão de dona Nídia, sua dor se torna palpável, afinal, a ideia de “fazer com que as pessoas conhecessem a história de Pedro”, foi de seu ex-marido, que procurou Breno e contou seu ponto de vista dos acontecimentos. No seriado, dona Nídia, que sempre foi presente na vida do filho, foi retratada como uma mãe relapsa, mas na realidade, chegou a interna-lo oito vezes – em todas elas, Victor, que era ex-dependente de cocaína, não permitia que Pedro continuasse internado e o retirava, pois negava a patologia do filho, segundo o psiquiatra Guilherme Torres, que assinou uma declaração com esta alegação.
Assista ao trailer da série:
Pedro deixou um filho, que hoje é um adolescente de 16 anos que passa por acompanhamento psicológico, pois, muito antes da série, quando o garoto tinha apenas 10 anos, seu avô, Victor, decidiu, que era hora de o neto conhecer a história do pai, mostrando ao menino imagens do dia de sua morte. Além deste trauma, dona Nídia afirma que o garoto não conseguiu assistir além do primeiro episódio do seriado devido ao nervoso. ”Quando ele foi ver a série, ele socou a cara dele toda. Ele socou a parede, ficou com a mão machucada. Ele não conseguiu ver a série, viu um capítulo e parou”, afirma dona Nídia.
A família de Pedro Dom, que reconhece os erros cometidos pelo rapaz, hoje, revive a dor de sua perda, dessa vez intensificada pelo sofrimento do neto, que sofre bullying na escola, pois os nomes de seus familiares além de não terem sido alterados na série, também eram expostos com a divulgação, o que possibilitou que o público procurasse pela família e chegasse até ele. Muitos pais trocaram os filhos de escola para que não ficassem perto do garoto. ”Os meninos são mais bacanas, mais amorosos, mas os pais tiram de perto”, diz dona Nídia, que tema guardo do neto.
Com o seriado “DOM” sendo um grande sucesso, dona Nídia Almeida tem se sentido ignorada pela Conspiração Filmes, responsável pela produção do seriado, que não escuta o que ela, mãe do rapaz no qual eles baseiam a série, tem a dizer. Ela continua se posicionado contra a produtora e segue lutando pelo direito de não ver a história de seu filho – sua história, sendo retratada nas telas. A Conspiração Filmes alega que a permissividade em contar a história de Pedro Dom se dá por se tratar de um assunto de conhecimento público. Mas por que o sofrimento de uma mãe é ignorado? Por que Nídia não é ouvida?



