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Analice Nicolau
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”Se a paciente tem endometriose na gravidez, o acompanhamento médico deverá ser mais frequente”, afirma o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli

Na opinião do médico, a experiência de cada mulher durante a gravidez pode ser muito diferente de outras grávidas com endometriose

Analice Nicolau

24/03/2022 19h00

Endometriose na gravidez pode provocar aborto e nascimento prematuro “Ficar grávida e ter um bebê saudável é possível na endometriose. Claro que quem sofre com essa doença apresenta maiores dificuldades em engravidar e aumentar o risco de complicações graves. Se a paciente tem endometriose na gravidez, o acompanhamento médico deverá ser mais frequente”, adverte o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli.


A endometriose é uma doença em que o tecido que reveste o útero (endométrio) cresce fora da cavidade uterina e pode aderir à parte externa do útero, ovários e trompas de falópio. Estudos revelam que, enquanto 15 a 20% de casais férteis que tentam engravidar terão sucesso a cada mês, esse número cai para 2 a 10% para casais afetados pela endometriose.


No tocante à gestação, neste ciclo haverá uma interrupção temporária dos períodos dolorosos e do sangramento menstrual intenso. A gravidez também pode ofertar algum alívio ao organismo, em virtude da mudança que ocorre no corpo feminino.


Algumas mulheres se beneficiam com o aumento dos níveis de progesterona durante a gravidez. Acredita-se que esse hormônio suprime e, talvez, até reduza os crescimentos endometriais. Na verdade, a progesterona sintética costuma ser usada para tratar mulheres com endometriose.


No entanto, muitas mulheres não encontrarão melhora, “Ao contrário, podem até descobrir que os sintomas pioram durante a gravidez. Isso porque, à medida que o útero se expande para acomodar o feto em crescimento, ele pode puxar e esticar o tecido fora do lugar. Isso pode causar desconforto. Além disso, o aumento no estrogênio também pode alimentar o crescimento endometrial”, comentou o ginecologista e obstetra Dr. Domingos Mantelli.


Na opinião do médico, a experiência de cada mulher durante a gravidez pode ser muito diferente de outras grávidas com endometriose. “Mesmo que os sintomas melhorem durante a gravidez, irão recomeçar após o nascimento do bebê. A amamentação pode atrasar o retorno dos sintomas, mas quando a menstruação voltar, é provável que os sintomas voltem também”, alerta o especialista.


Riscos e complicações
A endometriose na gravidez pode aumentar o risco de complicações durante a gestação e no parto. Isso pode ser causado por inflamação, dano estrutural ao útero e influências hormonais.
Vários estudos documentaram que as taxas de aborto são maiores em mulheres com endometriose. Isso ocorre mesmo para mulheres com endometriose leve. Uma análise retrospectiva concluiu que as mulheres com endometriose tinham 35,8% de chance de aborto espontâneo contra 22% nas mulheres sem o distúrbio.


Nascimento prematuro
De acordo com pesquisas recentes, mulheres grávidas com endometriose têm 1,5 vezes mais probabilidade de dar à luz antes de 37 semanas de gestação. Há um risco maior também de desenvolver uma placenta prévia que aumenta o perigo de ruptura durante o trabalho de parto. Uma placenta rompida pode causar sangramento grave. Se o sangramento for mínimo, a mãe pode ser aconselhada a limitar suas atividades, incluindo sexo e exercícios. Se o sangramento for intenso, pode ser necessária uma transfusão de sangue e uma cesariana de emergência.


“Ficar grávida e ter um bebê saudável é possível na endometriose. Claro que quem sofre com essa doença apresenta maiores dificuldades em engravidar e aumentar o risco de complicações graves. Se a paciente tem endometriose na gravidez, o acompanhamento médico deverá ser mais frequente”, conclui o ginecologista.

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