A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) tem realizado um monitoramento sistemático das redes sociais, em particular do Twitter, desde 16 de agosto até 30 de outubro, para analisar e decifrar o alcance e os padrões por trás das hostilidades sofridas pelos jornalistas no ambiente virtual, o que resulta em divulgações semanais no site da instituição, com base nos levantamentos realizados.

“Até o final do segundo turno, 120 jornalistas e comentaristas, além de perfis de autoridades públicas e candidatos às eleições, serão acompanhadas diariamente em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), centro de pesquisa de referência especializado em análise de redes sociais e tendências digitais”, explica o site oficial.
E continua: “Nos últimos anos, os insultos, as ameaças, as campanhas de descredibilização e outras manifestações de violências contra jornalistas e meios de comunicação se intensificaram, e aparecem cada vez mais normalizados nas falas de políticos, autoridades públicas e de seus seguidores. As redes sociais são usadas como caixas de ressonância para esses ataques, e se tornaram um verdadeiro campo minado para os jornalistas. Essa tendência traz consequências deletérias para o exercício da comunicação e vida pessoal das e dos jornalistas, mas também para a saúde do debate público e do direito à liberdade de imprensa no país”.

Ranking dos jornalistas mais atacados
Os dados referentes ao primeiro mês de análise mostram que há pelo menos 2,8 milhões de postagens com conteúdo ofensivo e agressivo direcionadas a jornalistas, com 264 hashtags diferentes usadas nos ataques.
Entre os cinco jornalistas que mais receberam postagens com conteúdos ofensivos durante o período monitorado, estão Vera Magalhães (26.706), Miriam Leitão (3.832), William Bonner (1.650), Andréia Sadi (1.550) e Eliane Cantanhêde (1.468).

“Se considerados os 10 jornalistas mais visados no período e as mensagens a eles direcionadas, 88% dos conteúdos agressivos postados nas redes no período monitorado foram direcionados a mulheres jornalistas (repórteres, comentaristas e apresentadoras). Em geral, essas agressões articulam termos misóginos, ofensas de cunho íntimo e desinformação”, relata a RSF.
Ataques à Vera Magalhães
Segundo o monitoramento, Vera Magalhães ocupa semanalmente a lista das jornalistas que recebem o maior número de posts ofensivos. Depois de ser atacada pelo presidente Jair Bolsonaro no debate na TV Bandeirantes em 28 de agosto, a hashtag #VeraVergonhadoJornalismo foi compartilhada 10.273 vezes em poucas horas.

Recentemente, a comunicadora foi novamente alvo de agressão por parte de políticos, dessa vez do deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos), aliado do presidente Jair Bolsonaro, que na última terça-feira (13), após debate promovido pela UOL, TV Cultura e Folha de S. Paulo com candidatos ao governo do estado de São Paulo, a hostilizou e agrediu verbalmente, afirmando que Magalhães “é uma vergonha para o jornalismo”, reproduzindo a fala de Jair Bolsonaro (PL) no debate entre presidenciáveis, em agosto.

Sobre a Repórteres Sem Fronteiras
Fundada em 1985 em Montpellier por quatro jornalistas, a RSF é uma organização internacional sem fins lucrativos, não sendo um sindicato profissional nem um representante de empresas de imprensa. Na vanguarda da defesa e promoção da liberdade de informação, é reconhecida como de utilidade pública na França desde 1995 e possui status consultivo junto às Nações Unidas, UNESCO, Conselho da Europa e Organização Internacional da Francofonia (OIF).

“A Repórteres Sem Fronteiras defende o direito de todo ser humano de ter acesso a informações livres e confiáveis. Esse direito é essencial para conhecer, compreender, opinar e agir com plena consciência, individual e coletivamente”, explica a organização.
Para acompanhar os resultados semanais do monitoramento, clique aqui. https://rsf.org/pt-br