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Analice Nicolau
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Repleto de suspense e romance, livro “A última sentença” foca na  corruptibilidade daqueles que deveriam zelar pelo bem público 

De autoria da empresária e escritora Bettina Muradás, romance policial relata história de  promotora pública e jornalista em busca de provas para expor um esquema de corrupção e  lavagem de dinheiro envolvendo políticos, juízes e empresários 

Analice Nicolau

31/07/2025 13h00

Atualizada 01/08/2025 9h01

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Bettina Muradás é jornalista, empresária e escritora

Uma tentativa de assassinato de uma promotora pública conhecida por seu trabalho contra o  narcotráfico é o ponto de partida do livro “A última sentença”, da empresária, jornalista e  escritora curitibana Bettina Muradás. A obra é repleta de suspense e reviravoltas, fazendo jus  aos romances escritos por alguns de seus autores preferidos, tais como Agatha Christie,  Raymond Chandler e Harlan Coben. Se a inspiração para a forma veio desses renomados  escritores de mistério, a inspiração para o conteúdo não poderia deixar de estar relacionada à  própria experiência da autora. A trama é ambientada em Curitiba, sua cidade natal, e gira em  torno de um esquema de corrupção envolvendo políticos, representantes da justiça e doleiros,  fato que não raramente frequenta os noticiários do país. Além disso, um dos heróis da trama é  um jornalista, função que Bettina exerceu por muitos anos. 

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Obra de Bettina é repleta de suspense e reviravoltas

“A última sentença”, conta a história de Patrícia Santos, uma promotora pública que após sofrer  um atentado transfere-se do departamento de crimes para o de patrimônio público. A troca,  que a protagonista acreditava que lhe traria uma rotina menos perigosa e estressante, acarreta  o efeito contrário. A partir deste momento, a promotora se vê atolada em meio a documentos  de sentenças e processos judiciais, buscando pistas em crimes do passado (o caso Banestado)  para tentar desvendar transgressões do presente, envolvendo um caso de empresas de fachada  e contas no exterior para lavagem de dinheiro. Tudo isso tendo como atores principais figuras  da política e da justiça brasileira, além de conhecidos atravessadores. À medida que avança nas  investigações, Patrícia se dá conta de que o rumo de sua vida está prestes a mudar  drasticamente.

Nessa aventura em que Patrícia adentra, é de suma importância a figura de André Jardim, co protagonista da trama. Jornalista de renome, editor de uma das mais respeitadas revistas do  país, laureado e temido, e por isso mesmo vítima de represálias, André encontra-se em Curitiba  para uma espécie de recomeço profissional. Amigo de uma testemunha ocular de práticas de  corrupção, ele, de forma destemida, segue o fio da meada buscando desemaranhar um caso  que promete chacoalhar (mais uma vez) as estruturas da justiça e política nacional. Nessa  caminhada em busca de pistas vai parar na divisão do patrimônio público e conhece Patrícia,  que acaba sendo tragada para dentro da investigação, motivada por deveres profissionais e  questões pessoais. 

Para desvendar essa rede de corrupção, Patrícia e André contam com a ajuda de alguns  personagens pitorescos, entre os quais: Ana Claudia, segunda promotora titular, colega da  protagonista na divisão de patrimônio público; e Cássio, delegado da Polícia Federal, amigo do  jornalista. Ambos, além de serem peças-chave para a resolução do mistério, têm como uma de  suas mais importantes atribuições trazer uma espécie de leveza para a trama, contrastando com  o cenário realista. Ana Claudia tem “um sorriso tão grande quanto sua cabeleira” e “tudo nela é  grandioso”. Já Cássio, não obstante a seriedade com que trata a sua profissão, é mostrado como  uma figura bonachona, um sujeito grandalhão, meio fora de forma, que adora comer biscoitos  recheados. 

Como contraponto a esses personagens solares temos Ricardo Cunha, juiz federal, marido da  protagonista e Joaquim, ex-delegado, advogado e amigo de Ricardo. O primeiro é apresentado  como uma figura enigmática, que carrega um segredo. O segundo é descrito pela protagonista  como “um sujeito tosco que transpira arrogância pelos poros”. É de Joaquim, pode-se dizer, a  função de vilão da história. A ambos não são dedicadas muitas páginas no livro e muitas  aparições na trama. No entanto, é deles a responsabilidade por aumentar a tensão e criar um  sentido para a porção mais trágica do enredo. 

A destreza que Bettina possui em construir cenas memoráveis é algo que não pode ser ignorado  por quem já leu ou pretende ler o livro. Ao apresentar o atentado sofrido pela protagonista no  início do romance, por exemplo, a autora transporta o leitor para dentro da trama, fazendo-o  sentir no corpo a tensão que acomete a promotora pública ao fugir daqueles que pretendem 

ser os seus algozes. Outra característica marcante da obra é a minuciosa descrição dos  personagens, recurso imprescindível que aproxima o leitor, aumentando seu interesse pela  história. 

Escrita com esmero por Bettina, “A última sentença”, possui uma trama rica em detalhes,  necessariamente intrincada, pois é do interesse da autora fazer uma obra verossímil, fidedigna  aos maiores escândalos de corrupção “reais” do país. Não obstante, passa longe de ser um livro  de difícil leitura. Muito pelo contrário, é uma obra de tirar o fôlego, onde não faltam os principais  ingredientes de uma boa história policial: detetives obcecados pela verdade; enredos marcados  por traições, mortes e reviravoltas; casos de amor que surgem de onde menos se espera; e um  desfecho surpreendente. 

Por fim, trata-se de um texto delicioso que atende a diversos interesses. Claro, daquele leitor  que deseja apenas se divertir, com as idas e vindas de uma narrativa policial. Mas, sobretudo,  de quem deseja saber como funcionam os meandros de uma grande reportagem; os bastidores  do poder político e econômico do país e as engrenagens da corrupção da lavagem de dinheiro,  que muitas vezes adentram a universos que a olhos desatentos pareceriam desprovidos de  segundas intenções, tais como o mercado de obras de arte e o de leilões de gado. 

Sobre a autora 

Bettina Muradás é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná. Já trabalhou  no Estado do Paraná, no Correio de Notícias, na Agência Umuarama, onde era responsável pela  redação das publicações internas do Banco Bamerindus e na Singular Agência de Notícias,  especializada em assessoria de imprensa. Atualmente, é empresária, escritora, mãe e voluntária  no Instituto TMO (suporte ao Transplante de Medula Óssea). “Justiça Escondida” é o terceiro  livro de sua autoria. Além dele, escreveu “Inverno no Vale” e “A Reportagem”. 

Ficha Técnica: 

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Livro: A última sentença / Editora: Editora Labrador / Data da publicação: 5 agosto 2025 / Edição: 1ª /  Idioma: Português / Número de páginas: 240 páginas / ISBN-10: 6556258792 / ISBN-13: 978- 6556258799 / Peso do produto: 399 g / Dimensões: 16 x 1.4 x 23 cm / Preço: R$ 55,00 

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