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Analice Nicolau
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Rei do pão sem glúten, Marcelo Horta conta como saiu do mundo corporativo para viver da sua paixão

Rei dos pães sem glúten, Marcelo quer, em 2022, ampliar o seu negócio, lançando cursos profissionalizantes na área de panificação

Analice Nicolau

05/04/2022 17h30

Rei dos pães sem glúten, Marcelo quer, em 2022, ampliar o seu negócio, lançando cursos profissionalizantes na área de panificação

Marcelo Horta é o sinônimo perfeito de empreendedor que arrisca e acredita no que faz. Aos quase 40 anos, decidiu abandonar uma carreira próspera como executivo de tecnologia de uma grande empresa para pôr em prática seu grande sonho: trabalhar com panificação. E tem dado muito certo!

Sua paixão vem desde cedo, através do contato com seu pai, engenheiro químico, que trabalhou a vida toda na indústria alimentícia. Aos 16 anos, Horta montou seu primeiro empreendimento: uma fábrica de pães de queijo na Região dos Lagos/RJ, que fornecia o produto para hotéis e restaurantes.

Sua primeira formação, no entanto, foi em Tecnologia da Informação (TI) com MBA em Administração pelo IBMEC. Com menos de 30 anos, Marcelo já atuava como gerente de TI de uma multinacional, onde trabalhou por muitos anos. Mesmo em outra área, Horta já se dedicava à gastronomia, buscando cursos, workshops e livros para se aprimorar.

Marcelo conta que era executivo de tecnologia de uma empresa recém-privatizada e este trabalho já não dava tanta satisfação a ele, principalmente pelas práticas que aconteciam no ambiente corporativo. “Neste momento, eu já estava com um bom volume de alunos e com cursos gravados, além de já dar aula presencial. Então, eu simplesmente tomei a decisão de abandonar o mundo corporativo e seus benefícios e me aventurar como empreendedor”, conta.

Quando ainda trabalhava com TI, Horta concluiu uma formação em panificação pelo SENAC e, em 2015, onde quase não se ouvia falar de fermentação natural no Brasil, ele começou a se interessar pelo assunto e iniciou sua busca pela “receita perfeita”.

Ao perceber a dificuldade de realizar uma produção caseira, já que todo material sobre o tema era voltado à produção em larga escala, decidiu então tentar por conta própria. Assim surgiu o Método Levain de Panificação, pensado para a produção caseira e para que qualquer pessoa pudesse fazer pão de fermentação natural com facilidade.

“A inovação é um campo muito fértil, tem muita coisa a ser feita mas quase nada é realizado no nosso país. Existem várias formas de você se diferenciar: eu, por exemplo, me especializei em pães sem glúten de fermentação natural, que é um nicho. Depois, em produtos sem leite de origem animal. Em seguida, entramos em mercados especializados em alimentos específicos para crianças e também sem açúcar”, explica Horta.

Hoje, Marcelo, que é formado como Boulanger avançado pela conceituada instituição Le Cordon Bleu, conta com três empreendimentos: os cursos de panificação sem glúten, com mais de 6 mil alunos; a Levan Baker Rio, empresa de panificação de fermentação natural que fornece pães artesanais em um modelo de negócios B2B, através de contratos, e a Cozinha Crunch, maior e mais tradicional panificadora sem glúten com fermentação natural do Rio de Janeiro, com larga distribuição.

Rei dos pães sem glúten, Marcelo quer, em 2022, ampliar o seu negócio, lançando cursos profissionalizantes na área de panificação, para ensinar não só a fazer o pão, mas também a como as pessoas prosperarem e ganharem dinheiro de verdade neste mercado.

“Dizem que hoje todo mundo que fica desempregado se torna motorista de aplicativo e isso não é talvez uma boa opção, porque você acaba se endividando, se expondo a riscos. Existem, ao contrário disso, formas de você fidelizar seus clientes de maneira mais simples, recebendo, por exemplo, pedidos por WhatsApp, lembrando dos clientes em datas especiais e aniversários, enviando lembrancinhas, e modelos diferentes de negócios. Todo mundo pensa em criar uma padaria e eu criei uma panificadora”, reflete Marcelo.

Se o pão sem glúten já está, cada dia mais, ganhando a mesa dos consumidores, este também tem se tornado ferramenta de transformação financeira para muitas pessoas. Além disso, Horta conta que, principalmente após vivenciarem a pandemia, muita gente passou a valorizar a saúde, o lazer e os momentos em família.

“A cozinha é uma terapia. Nesse ponto, a pandemia trouxe não só a vontade de cozinhar para as pessoas, mas a vontade de viver mais, de ter uma vida melhor, mais saudável, de se divertirem mais, e isso culminou em investimentos em qualidade de vida, diversão e coisas que fazem bem”, explica Marcelo sobre a busca por cursos de culinária.

Mostrando mais uma vez que o pão (com ou sem glúten) é para todos, em 2021 Horta fez parceria com o projeto social Pão de Fátima, desenvolvido pela Associação Tarde com Maria, uma associação católica sem fins lucrativos que produz e distribui pães e quentinhas para 60 instituições cadastradas, que direcionam esses produtos a comunidades carentes e pessoas em situação de rua.

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