Estresse emocional ou físico, alterações hormonais e até mesmo a Covid-19. São muitas as causas da temida queda capilar, que além de denunciar alguma outra questão de saúde, mexe com a autoestima de homens e mulheres. Dra Themis Hepp, dermatologista com mais de dez anos de experiência na área e fundadora da Clínica Almare, garante que é comum perder até cem fios de cabelo por dia.

Como essa conta nem sempre é viável de forma prática no nosso dia a dia, a especialista dá dicas de como notar uma queda anormal, ou seja, que fuja dessa quantidade esperada. “É importante observar o volume maior de fios que ficam na escova após pentear o cabelo, e principalmente se há perda de tufos ou falhas visíveis no couro cabeludo”, aconselha.
Dra Themis conta que a principal e mais comum causa de queda de cabelo se chama Eflúvio Telógeno, uma condição reversível que faz o cabelo cair depois de uma experiência estressante. “Suas principais causas são mudanças hormonais como a gestação, uso de determinadas medicações (antidepressivos são causa comum de queda), estresse emocional ou físico, após infecções ou durante doença grave por exemplo, deficiência de nutrientes, especialmente ferro”, enumera.

A especialista alerta para uma evolução crônica dessa condição. “Foi o tipo de queda mais comum após o COVID19. Apesar de ser reversível, existem casos em que a queda pode tornar-se um problema crônico e de resolução mais difícil, chamado eflúvio telógeno crônico”, informa.
Promessas milagrosas X tratamento profissional
Com a Covid-19 vieram também muitas sequelas que toda a população teve que aprender a lidar. Entre elas, a queda capilar que se apresentou com muita frequência até mesmo em quadros leves e até então assintomáticos.
Dra Themis explica que esse tipo de queda também se encaixa na condição do Eflúvio Telógeno e que deve ser tratada como tal, embora, infelizmente, haja promessas que induzem a compra de tratamentos específicos com o fim meramente lucrativo. “O Eflúvio Telógeno é autolimitado e normalmente não requer tratamentos diferentes. Infelizmente presenciamos uma onda de charlatanismo e tratamentos milagrosos para queda pós-covid. Os pacientes estão chateados e ansiosos com a condição e muitas vezes acabam gastando em shampoos, vitaminas e até injeções ou agulhamentos no couro cabeludo que não costumam ter benefícios nesse tipo de queda”, alerta.
A especialista explica ainda que o tratamento consiste em investigação laboratorial para afastar fatores agravantes ativos, boa nutrição, eventual suplementação e uso eventual de medicações que prolonguem a fase anágena, ou seja a fase de crescimento dos fios
Como evitar?
Já sabemos todos os transtornos que a queda capilar traz para o indivíduo, mas existe então alguma maneira de evita-la? Segundo a Dra Themis, uma pessoal saudável raramente tem queda de cabelos intensa, mas a especialista traz algumas dicas que considera fundamentais: “não dormir com os fios molhados e manter uma boa higiene no couro cabeludo. Lavar menos não diminuirá a queda e irá favorecer dermatites que podem piorar mais ainda o quadro”, afirma.
Dra Themis indica sempre procurar um profissional capacitado em caso de dúvidas. “Sempre que houver dúvidas fale com seu dermatologista, ele é o profissional mais treinado para diagnosticar e tratar doenças capilares. Cuidado com ofertas de shampoos e vitaminas, elas podem atrasar seu diagnóstico e tratamento corretos”, conclui.