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Analice Nicolau
Analice Nicolau

Quando a voz da infância aprende a falar alto

Colunista Analice Nicolau

05/09/2025 14h21

O Autor de “Mémórias de um Peixe que Fala, Donizete Peixinho

Do Mato Grosso ao mundo, memórias que viram horizonte, e lembram que coragem também se escreve no presente

Há histórias que não começam sob refletores; nascem em estradas de terra, onde a curiosidade é o primeiro farol aceso, e a vontade de seguir em frente, a única bússola confiável. Donizete Peixinho descobriu o jornalismo num gibi do Tio Patinhas e, dali, atravessou fronteiras: da zona rural de Rondonópolis aos epicentros da notícia, carregando a teimosia de quem transforma pergunta em destino e trabalho em travessia. Essa jornada, que pousa em Moscou, Atlanta e Paris, não é exceção: é um método de coragem aplicado dia após dia, quando o futuro ainda é só hipótese e o presente pede fôlego e disciplina.

No ofício, a biografia encontra o país: repórter e editor em telejornais que moldaram uma era, entre o impacto popular do jornalístico “Aqui Agora” e a investigação do Documentário Especial, duas escolas diferentes de apurar o Brasil real. Sob os tiros que cercaram o Parlamento russo, ele aprendeu que notícia também treme nas mãos; nas arenas olímpicas e nos gramados de Copa, entendeu que o mundo fala muitos idiomas, mas vibra igual quando a vida acontece ao vivo e sem retoque. Entre pautas, conversou com Ayrton Senna e Pelé, não por fetiche, mas para ouvir de perto o pulso do tempo e a forma como o talento reorganiza o impossível

“Memórias de um Peixe que Fala” não é troféu de prateleira; é lembrete de cabeceira: nenhum começo pequeno condena um destino a ser menor. As páginas costuram lembranças pessoais a fatos históricos e trazem à superfície uma ética de futuro: sustentabilidade não é tema lateral, é bússola, inclusive da nossa própria sobrevivência e do sentido de pertencimento que nos ancora ao mundo. O livro convida ao gesto mais simples e mais raro do nosso tempo: reconhecer-se no outro para, então, ir além, sem barulho, mas com propósito.

Empreender, aqui, não é abrir CNPJ; é insistir no sonho com método e respeito ao entorno a gestão invisível de quem acorda cedo, aprende com a queda e segue, porque desistir não paga as contas nem acalma a consciência. Quem atravessa a infância com pouco aprende a negociar com a realidade: primeiro um ônibus, depois um emprego, pôr fim a chance de narrar a própria história com a serenidade de quem já esteve no olho do furacão e sabe medir palavras e silêncios. O leitor não é consumidor: é parceiro de travessia, alguém que, ao virar a última página, encontra a si mesmo um passo adiante.

O lançamento em São Paulo será dia 11 de setembro, às 20h, no Bar Tribunal (Rua Coriolano, 810, Vila Romana).

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