O setor audiovisual tem visto um aumento na participação feminina nas últimas décadas, mas ainda há uma profunda desigualdade de gênero no campo.
De acordo com dados de uma pesquisa encomendada pela Ancine, em 2015 as mulheres representavam apenas 40% dos cargos no setor, com salários em média 13% menores do que os de seus colegas homens.

A disparidade se torna ainda mais acentuada quando se analisa o perfil dos cargos e sua distribuição por gênero. Em 2016, apenas 20,3% dos longas brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição foram dirigidos por mulheres, nenhuma delas negra. Essa disparidade também é vista em cargos de roteiro e direção de fotografia.
O Projeto Paradiso, liderado principalmente por mulheres, está atento a essas questões e busca combater as desigualdades de gênero em todas as suas atividades de formação profissional e geração de conhecimento. Os programas de bolsas, cursos e mentorias são concebidos e desenvolvidos com a diversidade em mente.
“Ao ver o Mês da Mulher, com destaque para o Dia da Mulher em 8 de março, como uma oportunidade de trazer discussões relevantes à tona, celebramos algumas diretoras promissoras que fazem parte da Rede Paradiso de Talentos. São profissionais que ainda não dirigiram seu primeiro longa-metragem, mas que estão conquistando espaço e reconhecimento no mercado e são apostas do Projeto Paradiso para o futuro do cinema nacional”, afirma Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso.
Confira, a seguir, algumas os enredos profissionais dessas mulheres que atuam no audiovisual nacional:
Alice Marcone

Vinda de São Paulo, Alice Marcone é psicóloga de formação mas é para o cenário audiovisual que ela empresta seus talentos como roteirista, atriz e cantora-compositora. Roteirista das séries “De Volta aos 15” da Netflix – onde também atua como atriz, “Noturnos”, do Canal Brasil e “Manhãs de Setembro”, da Amazon Prime Video, foi colaboradora de roteiro de “Todxs Nós” da HBO. Também apresentou e roteirizou o reality show “Born to Fashion”, do E! Entertainment.
Ana Clara Ribeiro

A piauense Ana Clara Ribeiro atua desde 2011 como assistente de edição, produção e direção, pesquisadora e roteirista para documentários; desde 2016 como professora-convidada em cursos de pós-graduação e desde 2017 com desenvolvimento de projeto e roteiro. É diretora-assistente, pesquisadora e roteirista da série documental “Favela Gay – A periferia LGBTQI” (2020) para o Canal Brasil, produzida pela Luz Mágica.
Camila Ribeiro

Natural de Salvador, Camila atua como produtora de arte há 13 anos, com mais de 30 produções por diferentes regiões do Brasil. Mestranda do programa Pós Cultura/UFBA, pesquisa a produção de cineastas negras como um processo de reconfiguração da imagem de mulheres negras no cinema nacional contemporâneo. É diretora e roteirista do curta “Sobre Elise” e da animação, ainda inédita, “Jussara”.
Evelyn Santos

Paulistana de apenas 23 anos, Evelyn dirigiu seu primeiro curta-metragem ”Dádiva”, vencedor do Projeto Curta em Casa, e por meio dele ingressou na Rede Paradiso de Talentos. Formada em audiovisual, destaca-se por trabalhos como ”Dentro da minha Pele”, ”Aqui não entra Luz”, ”Chico Rei entre Nós”, ”Bia 2.0”, ”Todos os Mortos”, ”O Pai da Rita”, ”Aruanas”, ”Eleições”, ”Raquel 1:1”, ”Assalto na Paulista” e os Curtas-Metragens ”Perifericú”, ”Dead Teenager Seance”, ”Mato Adentro”, ”Correntes”, ”Caxangá” e ”Roma”, filmes estes, exibidos em diversos festivais como Berlinale, Tiradentes, Kinoforum, Mix Brasil, Recifest, entre outros.
Rafaela Camelo

A brasiliense Rafaela Camelo, integrante da Rede Paradiso de Talentos desde 2019, atualmente desenvolve o seu primeiro longa, “Sangue do meu sangue”, com o suporte da ALCA (Agence Livre Cinéma & Audiovisuel en Nouvelle-Aquitaine). O projeto foi ganhador do prêmio de melhor roteiro na categoria ficção no BAL-LAB 2019 (França), selecionado na 20a edição do Produire au Sud (França) e no BrLab 2020 (São Paulo).