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Analice Nicolau
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Primeira executiva trans do Brasil lança autobiografia em São Paulo com presença de convidados

Danielle Torres, entre as 500 pessoas mais influentes da América Latina, divide sua história inspiradora com leitores em obra sobre vida, profissão e desafios de gênero

Analice Nicolau

10/08/2022 17h00

Atualizada 11/08/2022 8h55

Danielle é sócia de uma das maiores empresas do mundo de auditoria e consultoria

A autobiografia “Sou Danielle: como me tornei a primeira executiva trans do país”, da Editora Planeta, tem como pano de fundo a história de vida da executiva que dá nome ao livro.

Com uma trajetória profissional e de vida capaz de inspirar pessoas de todos os gêneros, cores, classes e idades, o livro fala sobre Danielle Torres, eleita uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina, onde revela detalhes da estrada até se tornar a primeira executiva trans do Brasil, o que inclui as situações de violência, preconceito, machismo e discriminação que passou desde a escola, além dos anos de terapia e o seu desenvolvimento profissional.

Na próxima segunda-feira (15), a executiva lança a sua autobiografia na Unibes Cultural, às 19h. Na ocasião, a escritora recebe convidados para um bate-papo com a jornalista Laura Ancona, a conselheira da WCD Marianne Coutinho e o CEO de Mais Diversidade Ricardo Sales.

A autora afirmou-se como Danielle quando já ocupava um cargo de diretoria na empresa em que trabalha. Até então, era o “Torres”. Nesse momento, não só recebeu apoio institucional para a mudança, como também foi convidada, mais tarde, a fazer parte do quadro societário em uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo.

Até esse momento chegar, lutou para se encaixar no gênero masculino. Com a ajuda da terapia, ela percebeu que era hora de fazer a afirmação de gênero. A empresa preparou os escritórios em outros países para dar o suporte necessário neste processo, o que se tornou uma jornada de aprendizado a todos. Com a carreira consolidada no Brasil e nos Estados Unidos, ela é referência para profissionais trans que buscam espaço e afirmação no mercado de trabalho.

“Só eu sabia a imensa caminhada que havia percorrido até aquele ponto. Quanto sofri, fui humilhada, excluída e ridicularizada. Como fui agredida, física e psicologicamente. As inúmeras vezes que me sexualizaram sem qualquer motivo; a falta de respeito constante; as diversas ocasiões em que atribuíram problemas e questões de terceiros a mim. Eu era aquela que já havia sido chamada de ‘uma vergonha’ e que tivera a própria sanidade questionada”, conta Danielle, na página 18 de sua autobiografia.

Este livro abre um diálogo importante sobre o fato de apenas 4% da população trans estar empregada no mercado formal brasileiro. Isso sem contar que o cenário para as pessoas transgênero no Brasil é o pior possível: o país é o que mais mata essa população no mundo. Claramente Danielle é um caso de sucesso, mas também conta que o alcance profissional e o privilégio de ter nascido numa família de classe alta nunca a pouparam de humilhações na vida social e de um profundo sofrimento psíquico.

Nesta obra, a executiva revela agressões que sofreu na infância, relacionamentos afetivos equivocados da juventude, bulimia, ataques de pânico, desconforto com o corpo e os muitos anos de terapia. E aquece o coração do leitor ao confidenciar o encontro com o grande amor, tatuagens, calcinhas, vegetarianismo e caratê.

Sobre a autora

Danielle é sócia de uma das maiores empresas do mundo de auditoria e consultoria. Ela se formou em ciências contábeis e administração, tem quatro pós-graduações – em gestão de negócios, filosofia e direitos humanos, tecnologia e influência digital –, faz mestrado no Georgia Institute of Technology, é maquiadora profissional, colunista de revista feminina e palestrante.

Para se inscrever no evento de lançamento da obra, clique aqui.

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