A autobiografia “Sou Danielle: como me tornei a primeira executiva trans do país”, da Editora Planeta, tem como pano de fundo a história de vida da executiva que dá nome ao livro.

Com uma trajetória profissional e de vida capaz de inspirar pessoas de todos os gêneros, cores, classes e idades, o livro fala sobre Danielle Torres, eleita uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina, onde revela detalhes da estrada até se tornar a primeira executiva trans do Brasil, o que inclui as situações de violência, preconceito, machismo e discriminação que passou desde a escola, além dos anos de terapia e o seu desenvolvimento profissional.
Na próxima segunda-feira (15), a executiva lança a sua autobiografia na Unibes Cultural, às 19h. Na ocasião, a escritora recebe convidados para um bate-papo com a jornalista Laura Ancona, a conselheira da WCD Marianne Coutinho e o CEO de Mais Diversidade Ricardo Sales.

A autora afirmou-se como Danielle quando já ocupava um cargo de diretoria na empresa em que trabalha. Até então, era o “Torres”. Nesse momento, não só recebeu apoio institucional para a mudança, como também foi convidada, mais tarde, a fazer parte do quadro societário em uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo.
Até esse momento chegar, lutou para se encaixar no gênero masculino. Com a ajuda da terapia, ela percebeu que era hora de fazer a afirmação de gênero. A empresa preparou os escritórios em outros países para dar o suporte necessário neste processo, o que se tornou uma jornada de aprendizado a todos. Com a carreira consolidada no Brasil e nos Estados Unidos, ela é referência para profissionais trans que buscam espaço e afirmação no mercado de trabalho.

“Só eu sabia a imensa caminhada que havia percorrido até aquele ponto. Quanto sofri, fui humilhada, excluída e ridicularizada. Como fui agredida, física e psicologicamente. As inúmeras vezes que me sexualizaram sem qualquer motivo; a falta de respeito constante; as diversas ocasiões em que atribuíram problemas e questões de terceiros a mim. Eu era aquela que já havia sido chamada de ‘uma vergonha’ e que tivera a própria sanidade questionada”, conta Danielle, na página 18 de sua autobiografia.
Este livro abre um diálogo importante sobre o fato de apenas 4% da população trans estar empregada no mercado formal brasileiro. Isso sem contar que o cenário para as pessoas transgênero no Brasil é o pior possível: o país é o que mais mata essa população no mundo. Claramente Danielle é um caso de sucesso, mas também conta que o alcance profissional e o privilégio de ter nascido numa família de classe alta nunca a pouparam de humilhações na vida social e de um profundo sofrimento psíquico.
Nesta obra, a executiva revela agressões que sofreu na infância, relacionamentos afetivos equivocados da juventude, bulimia, ataques de pânico, desconforto com o corpo e os muitos anos de terapia. E aquece o coração do leitor ao confidenciar o encontro com o grande amor, tatuagens, calcinhas, vegetarianismo e caratê.

Sobre a autora
Danielle é sócia de uma das maiores empresas do mundo de auditoria e consultoria. Ela se formou em ciências contábeis e administração, tem quatro pós-graduações – em gestão de negócios, filosofia e direitos humanos, tecnologia e influência digital –, faz mestrado no Georgia Institute of Technology, é maquiadora profissional, colunista de revista feminina e palestrante.
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