Diante dos atentados promovidos por apoiadores radicais do ex-Presidente da República, Jair Bolsonaro, às sedes dos Três Poderes, em Brasília/DF, no último domingo (8), o presidente argentino Alberto Fernández, que esteve presente na cerimônia de posse do atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro, declarou apoio ao governo brasileiro e intitulou as ações criminosas ocorridas no Distrito Federal como “tentativa de golpe de Estado”.

“Quero expressar meu repúdio ao que está acontecendo em Brasília. Meu apoio incondicional e do povo argentino para Lula frente a esta tentativa de golpe de Estado que enfrenta”, declarou Fernández, em seu perfil no Twitter, e prosseguiu: “Como presidente da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e do Mercosul (Mercado Comum do Sul), coloco os países membros em alerta para que nos unamos nessa inaceitável reação antidemocrática que está tentando se impor no Brasil”.
Atentados contra sedes dos Três Poderes
Com o intuito de protestar contra a vitória do presidente Lula nas Eleições 2022, bolsonaristas radicais invadiram a Esplanada dos Ministérios, no domingo (8), além do Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, partindo, inicialmente, em sua maioria, do quartel-general do Exército, por volta das 13h30.
Os participantes do ato criminoso promoveram a desordem, quebrando mobílias, destruindo obras de arte históricas e indo contra a Polícia Militar que estava no local.



Devido à repercussão dos atos de vandalismo e contra a democracia, o Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, foi demitido do seu cargo.
O presidente Lula também decretou intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal para conter a depredação aos prédios públicos, que só foi contida às 20h do domingo (8).
Desocupação dos acampamentos bolsonaristas
Após o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ordenar a desocupação total e imediata dos acampamentos bolsonaristas das imediações dos quartéis-generais presentes em todo Brasil, cerca de 1.200 acampados foram detidos, na manhã desta segunda-feira (9), em Brasília/DF, em operação realizada pela Polícia Militar do DF e Polícia do Exército.
Os governos da América Latina manifestaram a sua solidariedade ao Presidente Lula da Silva, condenando a “tentativa de golpe” no Brasil e pressionando por uma reacção das instituições, advertindo para o risco regional do exemplo brasileiro.
“Aqueles que tentam não ouvir a vontade das maiorias, atentam contra a democracia e merecem não só uma sanção legal, mas também a rejeição absoluta da comunidade internacional. Como presidente da CELAC e do Mercosul, alerto os países-membros para que nos unamos contra esta inaceitável reacção antidemocrática que se tenta impor no Brasil”, advertiu o Presidente argentino, Alberto Fernández.

O chefe de Estado falava, através das redes sociais, também enquanto líder temporário da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), fórum que reúne os 33 países das duas regiões, e do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai (Venezuela também é membro, mas está suspenso).
A 23 de Janeiro, o Presidente brasileiro Lula da Silva estará na capital argentina para inaugurar, numa reunião bilateral, as suas viagens internacionais. No dia seguinte, reúnem-se também em Buenos Aires os líderes da CELAC. O ataque às instituições democráticas brasileiras deve ser o assunto central do debate regional.
“Quero expressar o meu incondicional apoio e do povo argentino a Lula perante esta tentativa de golpe de Estado. Estamos juntos do povo brasileiro para defender a democracia e para não permitir nunca mais o regresso dos fantasmas golpistas que a direita promove”, acusou Alberto Fernández, convocando os países latino-americanos a reagiro em conjunto
“Demonstremos com firmeza e com união a nossa total adesão ao Governo eleito democraticamente pelos brasileiros, liderado pelo Presidente Lula”, disse Fernández. Em linha com as palavras do seu presidente, a CELAC comunicou o seu apoio ao Governo do Presidente Lula da Silva perante as ações violentas contra os três poderes brasileiros.
“A presidência pro tempore da CELAC manifesta o seu apoio ao Governo Lula, eleito pelo povo do Brasil, e rejeita as acções violentas contra as instituições democráticas brasileiras”, posicionou-se o fórum regional, criado para incluir Cuba nas discussões regionais e, ao mesmo tempo, excluir a influência dos Estados Unidos da América, dominante na Organização dos Estados Americanos (OEA).
Nesse sentido, o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também convocou uma “urgente reunião da OEA” para repudiar a “tentativa de golpe” no Brasil, promovida pelo “fascismo”.