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Analice Nicolau
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Por que faturar R$ 100 milhões não salva clínicas: o alerta de Carol Kaderli

Colunista Analice Nicolau

23/09/2026 10h04

Carol Kaderli revela como falhas na recepção e no DRE sangram clínicas e mostra como o conselho consultivo independente protege os lucros do CNPJ.

Carol Kaderli, conselheira consultiva e fundadora da CMK Business Advisory Créditos: Acervo Pessoal

A conselheira consultiva Carol Kaderli expõe a sangria no DRE que faz o médico trabalhar 14 horas por dia sem ver a cor do lucro

Nos bastidores da alta performance esportiva e corporativa, a margem para erros é zero. Essa mesma disciplina milimétrica guia a trajetória da conselheira consultiva Carol Kaderli, executiva cuja bagagem reúne mais de duas décadas na liderança executiva e de equipes em grandes operadoras de saúde médicas e odontológicas, como SAMP Assistência Médica, Athena Saúde, Associl e Gama Saúde, onde liderou estruturas com com mais de 1,5 milhão de beneficiários. O movimento atual de sua carreira marca um momento estratégico de reposicionamento que ganha um novo capítulo durante uma imersão internacional na Itália ao lado do seu esposo Christoph Kaderli, que compete no circuito europeu de Ironman. A viagem une a vivência da alta performance esportiva à atualização no que existe de mais avançado em mentoria executiva e modelos globais de boards, consolidando sua visão sobre governança na saúde. 

À frente da CMK Business Advisory, a especialista é categórica ao diagnosticar um dos maiores paradoxos do mercado: faturar R$ 100 milhões não salva nenhuma operação de saúde se o caixa estiver sangrando silenciosamente. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, com pós-graduação pela FAAP,  e especializações em Mediação e Compliance pelo Insper, Carol detém a certificação do Advisory Board Institute (ABI). Essa base acadêmica atesta o que os números do mercado confirmam. Dados oficiais do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) revelam que ineficiências operacionais drenam 12,7% da receita bruta do setor. Faturar muito, portanto, raramente significa saúde financeira; na maioria das vezes, significa apenas que o custo do risco ficou mais alto.

Carol Kaderli destaca a governança corporativa como proteção para o CNPJ
Créditos: Acervo Pessoal

A diferença entre faturar muito e gerir com eficiência

A matemática fria das estatísticas nacionais não perdoa a falta de governança. Estudos do Sebrae mostram que mais de 60% das PMEs entram em colapso devido a falhas primárias de planejamento e controle de fluxo financeiro. Nas empresas e consultórios do setor de saúde, esse cenário é devastadoramente comum. Gestores focam quase exclusivamente no aumento da entrada bruta de recursos, negligenciando a apuração do custo real por procedimento e o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE). O dinheiro escapa pelo ralo da ineficiência: recepções destreinadas, tempo ocioso do corpo técnico e a concessão arbitrária de descontos que aniquilam o caixa.

A especialista Carol Kaderli analisa os gargalos de gestão que corroem o lucro na saúde
Créditos: Acervo Pessoal

Esse atrito gerencial nasce no abismo entre a vocação técnica para o cuidado humano e as exigências do mercado corporativo. “Enquanto o fundador acredita que precisa apenas atrair mais clientes, a operação perde fortunas no WhatsApp com atendentes que atuam como meras informadoras de preços, sem nenhuma capacidade de negociação”, aponta a conselheira consultiva Carol Kaderli ao analisar os gargalos na recepção das empresas de saúde. Filha do cardiologista Dr. Olavo Dante Maciel, fundador da SAMP, aprendeu desde cedo que a excelência médica não sustenta um CNPJ sem a base sólida da profissionalização comercial. 

A premissa “CNPJ First” e a reestruturação da governança

A transformação de uma empresa de saúde frágil, totalmente dependente da presença física diária de seu fundador, em um ativo de alto valor, passa inevitavelmente pela adoção de práticas globais de conselho. “Na mesa de conselho, minha atuação é neutra e voltada estritamente para a proteção do CNPJ e governânça, alinhando a operação aos padrões internacionais”, define Carol Kaderli sobre a essência de suas intervenções estratégicas. A implementação de ritos quinzenais de auditoria de métricas e indicadores separa a emoção das decisões financeiras, criando uma estrutura autônoma que protege o patrimônio da diretoria e devolve a saúde mental aos profissionais exaustos por jornadas exaustivas.

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