Um estudo inédito conduzido pelo Itaú Viver Mais em parceria com o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) revelou as desigualdades raciais que permeiam o processo de envelhecimento da população brasileira. A pesquisa intitulada “Envelhecimento e desigualdades raciais” teve como objetivo investigar as disparidades entre pessoas negras e brancas em três capitais do país: São Paulo, Salvador e Porto Alegre.

A pesquisa, que contou com uma amostra de 1.462 indivíduos com 50 anos ou mais, analisou 11 indicadores relacionados ao envelhecimento ativo, incluindo autoestima, bem-estar, acesso à saúde, atividades físicas, inclusão produtiva, segurança financeira, entre outros. Os resultados revelaram diferenças significativas entre o envelhecimento de pessoas brancas e negras nas três capitais estudadas.

Um dos principais pontos destacados pelo estudo é a dificuldade enfrentada pela população negra em relação à segurança financeira. De acordo com a pesquisa, 50% das pessoas negras com 50 anos ou mais consideram difícil ou muito difícil pagar as contas com sua renda mensal, enquanto esse percentual é de 44% para homens e mulheres brancos. Além disso, a proporção de pessoas que recebem aposentadoria é 9% maior na população branca em comparação com a população negra nas três capitais.

No que diz respeito à saúde, o estudo revelou que homens e mulheres negros acessam 16% menos os serviços de saúde privados em comparação com homens e mulheres brancos. A disparidade também se estende à inclusão digital, uma vez que mulheres e homens negros acessam 14% menos a internet em comparação com mulheres e homens brancos.
Outro ponto alarmante evidenciado pela pesquisa é a exposição à violência. Ao longo da vida, homens negros foram ameaçados com arma de fogo 8% mais do que mulheres e homens brancos. O estudo revela que 21% dos homens negros entrevistados relataram ter sido ameaçados por arma de fogo, enquanto esse percentual foi de 13% entre mulheres e homens brancos.
Diante dos resultados, especialistas ressaltam a importância de ações que visem combater essas desigualdades raciais no processo de envelhecimento. “Vemos que há diferenças na experiência de envelhecer entre pessoas negras e brancas, principalmente no acesso à renda, saúde, inclusão digital e exposição à violência. Essas evidências podem incentivar novos estudos e qualificar o importante debate sobre o envelhecimento na sociedade brasileira”, afirma Priscila Vieira, pesquisadora e coordenadora de projetos do Núcleo de Desenvolvimento do CEBRAP.
O relatório completo da pesquisa pode ser acessado no site do CEBRAP, e sua divulgação reforça a necessidade de políticas públicas que promovam uma velhice mais digna e inclusiva para toda a população brasileira. O Itaú Unibanco, apoiador dessa iniciativa, reforça seu compromisso em contribuir para a transformação positiva da vida da população idosa no país.