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Analice Nicolau
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Pedro Kauffman lista os segredos judaicos para uma carreira de sucesso

O sábio Rava disse: Quando uma pessoa é julgada na corte celestial, a primeira pergunta feita é “Você comprou e vendeu com integridade?” — Talmude , Shabat 31a

Analice Nicolau

04/05/2022 11h00

O sábio Rava disse: Quando uma pessoa é julgada na corte celestial, a primeira pergunta feita é “Você comprou e vendeu com integridade?” — Talmude , Shabat 31a

É assim que cultivamos, como preparamos nossos alimentos, como conduzimos o comércio, como criamos arte e como construímos nossas vidas. Utilizando a matemática simples, fazemos um mais um ser igual a três. No papo de startup: criamos valor.


 Para criarmos um valor verdadeiro precisamos que as pessoas sejam acionistas. Se soubermos agir com integridade nesse campo, haverá mais confiança e boa vontade no mundo — o que significa que teremos cada vez melhores negócios a serem feitos.
 

Para isso, precisamos falar sobre“negócios significativos” ou de impacto que certamente remeterão ao conceito de inclusão, natureza e igualdade e adiciono outras palavras fundamentais: caridade, justiça social e amor-próprio. Porém, antes de mergulharmos nos negócios significativos, eu gostaria de discorrer sobre outras duas palavras: ego e humildade, que ajudarão no exercício reflexivo.
 

Você se sente aprisionado? Se sim, não será você que estará se encarcerando?

Será que você colocou a sua carreira como o elemento mais importante da sua vida? De repente, seu principal foco vem sendo ganhar dinheiro para construir um bom pé de meia e uma confortável aposentadoria? Existe uma forma de ter tudo isso, mas com muito mais qualidade de vida?
 

A Tora, o Velho Testamento dado ao povo Judeu, nos conta sobre as façanhas de José, filho do patriarca Jacó. Vendido como escravo por seus irmãos, ele acaba escravizado por Potifar, um egípcio proeminente. Mas José não era um escravo comum e seu mestre rapidamente percebe que D’us** está com ele, e que todos os seus atos são abençoados com muito sucesso. Como resultado, Potifar o designou como responsável pelos serviços de toda a casa.


 

Porém, um novo problema se formou. José, um homem muito bonito fisicamente, atraiu a atenção da esposa de seu chefe. Ao rejeitar seus avanços, acaba caindo em uma cilada que o coloca na prisão. Mas, não demorou muito para que José assumisse a administração do cárcere.
 

As palavras diferentes utilizadas nas descrições dos dois momentos de José, revelam o segredo para o verdadeiro sucesso. Onde D’us o planejou o sucesso, existem duas possibilidades a trilhar.
 

Podemos assumir a percepção de que é a mão do homem que alcança o sucesso, com o aparente apoio e assistência de D’us, ou podemos ver a mão de D’us como a fonte de sucesso, por meio do esforço humano servindo como um mero veículo pelo qual a bênção divina é canalizada.
 

Em seus dias como escravo, a percepção de José era de que seu sucesso foi alcançado por suas próprias mãos — com a ajuda de D’us, é claro. “Tudo o que ele faria, D’us faria sucesso em sua mão.”
 

Como prisioneiro, sua percepção mudou — D’us estava com José, e o dotou de charme. Não há menção às mãos de José: seu sucesso não é obra dele, mas deriva inteiramente de uma fonte celestial.
 

A chave para o sucesso neste mundo é abrir espaço para a bênção de D’us em nossas vidas. Quanto menos cheio de si, mais espaço você deixa para ser preenchido pela presença Divina e as bênçãos abundantes que vêm com ela. Onde um ego inchado preenche todo o seu ser, não há mais espaço para D’us.
 

A experiência da escravidão deu a José uma boa dose de humildade. À medida que sua autoestima encolheu, a presença de D’us em sua vida só cresceu, e o verdadeiro sucesso chegou às suas mãos. Ainda assim, “sua mão” era um fator dominante, embora suficientemente oca para permitir que a bênção de D’us a preenchesse.

José teve sucesso em todas as etapas, mas foi por meio da humildade que ele atingiu o verdadeiro e duradouro sucesso.
 

A reflexão mais maravilhosa dessa história é: Não destrua seu ego, apenas dê-lhe significado. Use-o para consertar ou fazer a diferença em algo no mundo.
 

Humildade requer caridade e justiça social

“Vista um casaco e você ficará aquecido. Acenda um fogo e aquecerá os outros. ”

A “tsedacá” (traduzida como caridade) é um dos 613 preceitos dados por D’us ao povo judeu no Monte Sinai. “Tsedacá” na verdade significa justiça. D’us permitiu que existissem os mais afortunados e os necessitados para que os seres humanos exercessem bondade e justiça uns com os outros transformando seu livre arbítrio em ações positivas.
 

Há um versículo que diz: “Não endureça seu coração e estenda sua mão ao seu irmão necessitado”. Devemos sempre nos colocarmos no lugar do outro pois da mesma forma que nos dirigimos humildemente ao criador em busca de bênçãos de saúde, alegrias materiais e espirituais, somos carentes, ocupamos a mesma posição daquele que se encontra diante de nós e pede para que estendamos nossa mão.
 

A ideia de dar o dízimo não existe apenas no judaísmo, mas foi estabelecida na Torá, que orienta que todo judeu separe um “maasser”, traduzido como dízimo de seus lucros para a caridade. O conceito é que tudo o que possuímos é um empréstimo de D’us. Na realidade, a renda de cada indivíduo é um presente divino e a Torá não quer que nos esqueçamos disto, por isso instituiu que um décimo da colheita, ou da renda, fosse doada. Este é um lembrete de que na realidade nenhum bem material é nossa propriedade eterna, e temos de usar o que temos agora para o bem.
 

Imaginemos agora, se cada um de nós doar 10% do seu lucro, e se cada empresa dedicar parte dos seus lucros para caridade, como estaria o mundo hoje em dia?
 

+ Amor-Próprio = Foco.

Nos últimos anos, campanhas como o setembro Amarelo, de prevenção contra o suicídio, e o janeiro Branco, de conscientização sobre o bem-estar emocional, têm ganhado relevância. A discussão sobre transtornos como depressão, ansiedade e estresse nunca esteve tão em alta. Uma pesquisa global do Instituto Ipsos apontou que 53% dos entrevistados brasileiros relataram alguma deterioração na saúde mental em 2020 e fomos a quinta maior alta entre os 30 países pesquisados.
 

É claro que, nesse debate, nosso trabalho não pode ficar de fora. O trabalho pode estar intimamente ligado ao surgimento de transtornos mentais, a começar pela síndrome de burnout, que foi incluída pela Organização Mundial de Saúde (OMS) oficialmente a síndrome na lista de doenças ligadas ao trabalho.
 

Devemos ver o universo como um violino. Um violino é bom ou ruim? O violino é o mais comovente e expressivo de todos os instrumentos. Mas se você não for um violinista treinado, puxe o arco pelas cordas e você produzirá os sons mais estressantes que você nunca vai querer ouvir.
 

O mesmo acontece com o dinheiro e com nossa ambição. Dinheiro é bom, ganhar dinheiro é bom — você só precisa jogar o jogo da maneira como ele deveria ser jogado.
 

A palavra hebraica para “escada” (sulam) possui o mesmo valor numérico que “dinheiro” (mamon). Isto nos ensina que o dinheiro é como escada: pode ser usado tanto para nos elevar, como nos arremessar às profundezas, tudo depende de que forma o utilizamos e para que propósito.”

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