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Analice Nicolau
Analice Nicolau

Peça “O Homem Mais Inteligente da História” é sucesso de bilheteria

Colunista Analice Nicolau

11/09/2025 8h00

Atualizada 10/09/2025 12h35

Elenco de O Homem Mais Inteligente da História

Após conquistar as livrarias mundiais, o consagrado romance de Augusto Cury comemora 4 anos de sua versão teatral


Após o sucesso nas livrarias ao redor do mundo, o consagrado romance sócio‑emocional de Augusto Cury, considerado pelo autor uma obra vital de sua carreira, ganha sua versão teatral assinada pelo próprio Cury em parceria com Francis Helena Cozta e direção de Ivan Parente. Há peças que não pedem pressa: pedem presença. O Homem Mais Inteligente da História reorganiza no palco aquilo que a vida costuma embaralhar: a emoção, com dobras, frestas e possibilidades de cuidado. Não faz sermão, oferece caminho, e respeita a inteligência sensível de quem assiste.

O ator Daniel Satti constrói Marco Polo com o rigor de quem sabe ouvir o silêncio da dúvida. Seu cientista não é tese ambulante: pensa antes de concluir, observa antes de sentenciar, respira antes de atravessar. Convocado a analisar a inteligência de Jesus pela lente da ciência, não do dogma, sustenta uma investigação que é estética e ética ao mesmo tempo. O gesto é preciso, o olhar é honesto, e o público percebe.

O ator Daniel Satti que interpreta Marco Polo na peça – O Homem Mais Inteligente da História

A mesaredonda ganha musculatura com Priscilla Dieminger, Renan Rezende, Murilo Inforsato, Pietro Alonso e Letícia Navarro: o conjunto não ilustra conceitos, vive questões. Autocontrole, criatividade, perdas e frustrações saem do jargão e viram matéria de vida, numa dramaturgia que confia mais na respiração do texto do que em atalhos dramatúrgicos. Luz e trilha sugerem em vez de impor, abrindo espaço para a palavra e o corpo que a sustenta.

Há curadoria ética nos temas sensíveis. Depressão e violência contra a mulher não aparecem como recurso de impacto, mas como compromisso de linguagem, dor real pede vocabulário responsável. Quando o teatro decide não espetacularizar feridas, a plateia se aproxima do essencial: nomear limites, reconhecer vulnerabilidades, aprender a se proteger.

Agenda que aproxima o público, com locais confirmados: São Paulo, 19 de setembro, no Teatro J. Safra (sexta, 20h30); Teresina, 26 de setembro, no Theatro 4 de Setembro (19h); Belém, 27 e 28 de setembro, no Teatro Resolve (IT Center). Encontros que reforçam a vocação itinerante de um espetáculo que dialoga com diferentes realidades sem perder substância e convidam novas plateias a compartilhar a travessia de Marco Polo.

O texto de Cury, amadurecido por pesquisa de gestão da emoção, oferece a pergunta certa no tempo certo: o que é inteligência quando a vida aperta. A travessia devolve às perguntas sua nobreza e à dúvida seu lugar de método. Pensar bem como forma de cuidar; sentir com responsabilidade como forma de pensar, o palco sustenta a hipótese, a plateia testa no próprio peito.

Elenco na peça – O Homem Mais Inteligente da História

No centro dessa arquitetura, Satti exerce uma autoridade rara: ilumina o texto sem se esconder atrás dele e oferece escala aos colegas sem perder o pulso da narrativa. Não busca brilho fácil; pratica atenção. Quando a luz desce, fica a sensação de que algo se alinhou por dentro, discreto, mas firme.

E, já que a arte não acontece no vácuo, a notícia que conversa com esse mesmo eixo de sentido: o curta Caminhos Desiguais, dirigido e roteirizado por Abraão Oliveira, foi selecionado para o LABRFF Orlando, edição inaugural do tradicional Los Angeles Brazilian Film Festival em solo floridiano, de 24 a 26 de outubro de 2025, no Regal Pointe Theater. A sinopse traz o contraste entre a vida de uma família preta em favela e a de um casal branco rico, expondo ciclos de opressão, racismo e injustiça social; Daniel Satti interpreta o “Homem Branco”, figura elitista e preconceituosa, peça‑chave para a crítica das estruturas de privilégio.

No ano passado, o curta Bom Comportamento, dirigido por Mathews Silva, teve Daniel Satti como Thomás, único personagem masculino, em trama que toca preconceito, relações familiares e relação abusiva, e foi selecionado com destaque no festival em Los Angeles. Satti relata que a experiência em O Homem Mais Inteligente da História, com foco em gestão das emoções, ofereceu repertório para compreender as camadas do personagem no cinema, reforçando o diálogo entre palco e tela em torno de autocontrole, responsabilidade afetiva e enfrentamento de crenças limitantes.

Talvez esteja aqui o ponto de contato entre espetáculo e curtas: obras que recusam respostas fáceis e devolvem perguntas dignas. O Homem Mais Inteligente da História não promete milagre; propõe método, delicadeza e coragem. E é por isso que, ao sair, tanta gente caminha diferente, não para fugir de si, mas para se encontrar com mais cuidado.

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