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Analice Nicolau
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Paulistanos trocam apartamentos por casas em bairros residenciais em busca de conforto e áreas ao ar livre

Tendência é apontada pela imobiliária Refúgios Urbanos, que viu a venda de casas quase dobrar nos últimos dois anos devido a pandemia

Analice Nicolau

20/06/2022 15h30

Foto: Divulgação

Apartamentos pequenos, muitos sem varanda, áreas em comum fechadas durante o lockdown, vários membros da mesma família em home office. Essa foi a experiência de muitos moradores durante a pandemia de covid-19. Nesse contexto, movimento bastante significativo e crescente, tem agitado o mercado imobiliário paulistano: o aumento pela busca por casas. É o que apontam os dados das vendas gerais da imobiliária Refúgios Urbanos nos últimos três anos.

Em 2020, primeiro ano pandêmico, 10% das vendas da Refúgios Urbanos foram de casas; em 2021, este número subiu para 14% e, até o momento, em junho de 2022, o índice já está em 17%, ou seja, o número de vendas de casas dentro da imobiliária quase dobrou nos últimos dois anos.

Camila Raghi, sócia da imobiliária, que tem sede em São Paulo e, agora, também em Santos analisa os números: “As pessoas passaram a se atentar mais para suas moradas à medida que têm passado mais tempo dentro delas e, por isso, estão buscando por espaços mais generosos, iluminados, ensolarados, aconchegantes e com espaços ao ar livre”, observa.

Matteo Gavazzi, sócio-fundador da Refúgio Urbanos, faz coro à afirmação da sócia e acrescenta que a pandemia reforçou a centralidade do lar na vida das pessoas. “Aquele lugar que às vezes era considerado apenas de “transição” entre trabalho e lazer voltou a ser o centro do nosso mundo. Coisa que não mudou com o término das restrições. A casa continua sendo o centro de nossos universos é isso não deve mudar. Sendo assim, muitos saíram de apartamentos para casas na busca de espaços abertos e “respiros” que nos conectem com a natureza no nosso dia a dia”, opina.

As casas surgiram como uma opção bastante atrativa para os que buscam mais tranquilidade e privacidade. No auge da pandemia, em 2020 e 2021, explodiram as reclamações sobre convívio entre moradores de condomínios e apartamentos da cidade. “Nossa experiência mostra ainda que o movimento acontece de forma mais intensa nos bairros residenciais que giram em torno do centro expandido de São Paulo”, explica Raghi.

Na Zona Oeste, por exemplo, há uma alta procura pelos bairros de Alto de Pinheiros, Lapa, Vila Madalena, Vila Beatriz, Sumaré e Pacaembu. O Jardim Europa também é bastante requisitado, apesar dos preços elevados. E o Butantã é uma grata surpresa, pois conta com casas com terrenos bastante generosos por um custo-benefício bastante atrativo se compararmos aos demais bairros do lado de cá do rio. Na Zona Sul, o movimento também é observado: Vila Mariana, Aclimação, Campo Belo, Brooklin e Alto da Boa Vista também são bairros com alta concentração de casas e tiveram as buscas intensificadas.

Novas famílias, mesmas tradições

Casais na faixa dos 30 e 40 anos, com ou sem filhos, representam a maior parte do público que está movimentando essa mudança de comportamento. Muitos moram atualmente em apartamentos menores, trazem na bagagem uma vivência anterior de morar em casas, quando viviam na casa dos pais, e querem proporcionar a mesma experiência para os filhos: ar livre, quintal e natureza em casa.

Os dados mostram que o perfil dos imóveis também mudou. Até então, as casas mais buscadas eram as casas de vila ou de condomínio, muito por conta de questões atreladas a uma suposta segurança maior. “No entanto, a partir deste ponto de inflexão que foi o início da pandemia, vimos uma busca crescente por casas implantadas soltas no terreno, com bastante quintal e áreas verdes. Quanto mais área externa não pavimentada, melhor. De forma geral, a busca é sempre por um lugar ao sol, com muito verde, seja uma casa, um Garden ou uma cobertura”, finaliza a sócia da Refúgios Urbanos.

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