A ONG “Instituto Vida Livre” realizou uma denúncia sobre a morte de animais eletrocutados no Rio de Janeiro. “Não tem nenhum sistema de prevenção de acidentes”, diz Roched Seba, presidente do Instituto.
De acordo com Roched, desde julho de 2022 o Instituto vem recebendo e relatando diversos casos envolvendo a morte de vários animais em acidente com a rede elétrica. “São diversos episódios de animais silvestres eletrocutados na rede elétrica da Light no Rio de Janeiro, mas, infelizmente, estamos lidando com a negligência, omissão e irresponsabilidade da empresa, que não tem nenhum sistema de prevenção de acidentes e tampouco se responsabiliza pelo socorro e atendimento dos animais acidentados”, afirma.

Segundo os dados divulgados pelo Vida Livre, o Instituto atendeu somente neste ano 34 casos, dois com macacos-prego, que foram mutilados pelas queimaduras e não poderão ser soltos novamente na natureza. No ano passado foram salvos e devolvidos a seus habitats uma preguiça, um gambá e um macaco-prego, mas outros 28 animais morreram.

“Tentamos o diálogo com a empresa, tem um inquérito em curso no Ministério Público do Estado, foi feita uma notícia crime na delegacia e diversas matérias de jornal já foram feitas. Precisamos sensibilizar também a prefeitura, governo do estado do Rio, Aneel, Ibama”, relata Roched.

O presidente da ONG afirma ainda que tem cobrado a responsabilidade da empresa pelo impacto que gera sobre esses animais. A causa tem ganhado repercussão na capital carioca, com apoio de personalidades como a apresentadora Xuxa, que compartilhou um dos casos registrados cobrando soluções:
“Esperamos que seja feita justiça para esses animais que já foram afetados e também respeito ao nosso trabalho. Da mesma forma, temos esperança na sensibilização da empresa e das autoridades com a responsabilidade perante o impacto que causam na fauna silvestre. É inadmissível que em 2023, com um discurso tão contundente de sustentabilidade, a sociedade conviva com normalidade com concessionárias de energia elétrica que não previnem acidentes e tampouco se responsabilizam pelo impacto que causam em seres inocentes”, desabafa Roched Seba.
Resposta da Light
Procurada, a Light, empresa responsável pela rede de energia no Rio de Janeiro, informou por meio de nota que zela pela preservação do meio ambiente e realiza podas periódicas para afastar os animais da rede. Além disso, afirma que atua com protetores e mantas para minimizar o contato direto com pontos energizados.
Confira a nota oficial da empresa:
“A Light acredita na importância de zelar pela preservação do meio ambiente e prevenir o risco de eletrocussão de animais silvestres. Para isso, a companhia realiza planos cíclicos de poda de árvores, o que afasta os animais da rede elétrica – anualmente são podadas mais de 60 mil árvores na cidade do Rio e 150 mil árvores na sua área de concessão. Também são implementados, estrategicamente, protetores e mantas para minimizar o contato direto com pontos energizados da rede. Em pontos mais sensíveis, onde há maior incidência de animais silvestres, os condutores de média tensão possuem revestimento, ou seja, estão protegidos quanto ao contato direto com o condutor energizado e os circuitos são inspecionados anualmente a fim de levantar fragilidades e possíveis defeitos.”