Erica Lima e a escuta profunda
Em contextos complexos, em que estatísticas não alcançam motivações, repertórios e crenças, a pesquisa qualitativa entrega o que está nas entrelinhas: sentidos que orientam decisões coletivas, especialmente na Amazônia, território plural e historicamente invisibilizado que exige método, ética e presença em campo. Erica Lima Barbosa, empresária e pesquisadora, atua há mais de uma década com grupos focais, entrevistas em profundidade e história oral, articulando técnica e sensibilidade para traduzir vozes de comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas em estratégia pública e comunicacional.
Para o estudo qualitativo, normalmente é recomendado grupos focais de 6 a 15 participantes, com ideal entre 8 e 10 em sessões de 90 a 120 minutos, para garantir diversidade sem perder qualidade da fala; acima de 12, tende a cair a participação equilibrada. Em estudos aplicados, é comum organizar 4 a 8 grupos por recorte (gênero, faixa etária, território) para alcançar a saturação temática, ajustando conforme a heterogeneidade do público e os objetivos do estudo. Em entrevistas em profundidade, revisões e metaestudos indicam que entre 20 e 30 entrevistas costumam atingir saturação em muitos desenhos, podendo ser menos em públicos muito homogêneos e mais em projetos online ou muito complexos.
O que isso produz em dados? Um estudo qualitativo de médio porte pode gerar 200 a 400 páginas de transcrições, que depois são codificadas em 30 a 50 códigos temáticos iniciais e consolidadas em 6 a 10 eixos analíticos para decisão; essa dinâmica é descrita em guias de análise temática e relatos metodológicos clássicos. A aferição de saturação pode ser reportada por métricas de “novo conteúdo” entre entrevistas, pesquisas mostram que 6 a 7 entrevistas capturam a maioria dos temas em amostras homogêneas, chegando a 11 ou 12 para níveis mais altos de saturação. Na prática amazônica, Erica soma esse rigor à mediação cultural, logística de acesso fluvial e devolutivas comunitárias, condição ética para validade interpretativa e confiança.

Em saúde coletiva, o qualitativo serve para revelar barreiras invisíveis como, medo, vergonha, trajetos, léxicos locais, que não aparecem em percentuais, mas determinam acesso e adesão a políticas. Em comunicação pública e reputação, organiza mapas de sentido e vocabulários que reduzem ruído e elevam confiança, orientando campanhas e serviços a partir de “gatilhos de aceitação” e “zonas de atrito” que só emergem na fala situada. Em eleições, capta narrativas que explicam voto, indecisão e rejeição, oferecendo trilhas de mensagem ancoradas em códigos culturais identificados no campo.
Como Erica entrega valor? Com relatórios executivos com insights acionáveis, matrizes risco-percepção, mapas de empatia por público e trilhas de linguagem, traduzindo achados em decisões, um trabalho de ponte entre dados e prática, em que número convence, mas palavra situada converte. Essa engenharia de escuta, quando guiada por saturação, triangulação e ética, é o que permite afirmar, com evidência, que qualitativo não é “opinião”: é método para decifrar contextos onde o Brasil mais precisa reaprender a ouvir.