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O PMMA na cirurgia plástica: Dr. Eduardo Nunes desvenda mitos e verdades

Segundo o cirurgião plástico, o PMMA é uma opção segura e eficaz em procedimentos estéticos. Mas é fundamental que os pacientes busquem profissionais qualificados, estejam bem informados e façam boas escolhas sobre os tratamentos estéticos

Por Analice Nicolau 12/02/2024 9h30

Nos bastidores da cirurgia plástica, uma substância tem sido objeto de discussão e especulação: o polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA. Para esclarecer as dúvidas e desmistificar conceitos, entrevistamos o cirurgião plástico Dr. Eduardo Nunes, especialista em cirurgias de contorno corporal e com atuação em Maringá – PR e São Paulo – SP.

Dr. Eduardo Nunes explica que o PMMA não é uma novidade na medicina. Na verdade, essa substância está presente há cerca de um século, sendo utilizada em uma variedade de aplicações médicas, desde marcapassos até lentes intraoculares. Com registro na Anvisa e no FDA, o PMMA é reconhecido como um bioestimulador seguro e eficaz.

Atualmente, o PMMA é amplamente utilizado no Brasil para correções volumétricas corporais e como bioestimulador. Dr. Eduardo destaca que sua aplicação em concentrações maiores estimula a produção de colágeno, proporcionando resultados duradouros e naturais. Além disso, o PMMA é diferenciado por sua longa duração e poder de bioestímulo, superando outros preenchedores temporários.

Uma preocupação comum entre os pacientes é a possibilidade de remoção do PMMA em caso de complicações. O médico assegura que é possível remover o PMMA com técnicas cirúrgicas adequadas, minimizando os riscos de danos adicionais. Ele ressalta que o mau uso de qualquer substância, seja o PMMA ou outros preenchedores, pode resultar em complicações graves, como isquemias e necroses.

Um ponto crucial destacado pelo cirurgião, é a importância da transparência e informação para os pacientes. Ele enfatiza que os pacientes têm o direito de saber quais substâncias estão sendo utilizadas em seus procedimentos, assim como os potenciais riscos e benefícios associados.

Contrariando rumores, o Dr. Eduardo Nunes esclarece que o PMMA continua sendo amplamente utilizado no Brasil e é um dos procedimentos estéticos não invasivos mais realizados atualmente. Ele alerta para a disseminação de informações imprecisas e mitos sobre o PMMA, enfatizando a importância de consultar profissionais qualificados e basear-se em evidências científicas.

Complicações

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Dois casos recentes, um envolvendo uma mulher de 35 anos e outro a modelo e jornalista Lygia Fazio, trazem à tona as sérias complicações que podem surgir após a utilização do polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, em procedimentos estéticos.

Em 2020, a influenciadora Mariana Michelini, de 35 anos decidiu submeter-se a um procedimento estético para preencher lábios, queixo e maçãs do rosto. Contudo, seis meses depois, ela acordou com o rosto inchado, vermelho e dolorido. Após uma biópsia, foi revelado que o preenchimento com PMMA desencadeou um processo inflamatório em seu rosto, resultando em complicações graves e perda do buço e lábio superior. A situação se tornou pública nesta semana e revela que após as complicações, Mariana precisou passar por cirurgias para tentar retirar o químico do seu corpo, mas até hoje não conseguiu tirá-lo totalmente.

Em maio de 2023, a modelo e jornalista Lygia Fazio faleceu aos 40 anos, em São Paulo, após complicações decorrentes de uma cirurgia estética. Internada por quase um mês, Lygia havia sido submetida a procedimentos nos glúteos, nos quais foram utilizados silicone industrial e PMMA. Essas substâncias se espalharam pelo seu corpo, resultando em infecções graves e um AVC. Lygia revelou em entrevistas que buscou uma solução clandestina, que acabou agravando ainda mais sua situação. A modelo havia passado por uma cirurgia para a remoção do silicone e PMMA, mas, as complicações foram irreversíveis.

Segundo o Dr. Eduardo Nunes, as complicações como essas podem ocorrer devido ao mau uso e à má técnica, independentemente do produto utilizado. Ele destaca que outros procedimentos estéticos, como a liposucção, também apresentam riscos significativos quando não realizados por profissionais qualificados. O médico adverte que o uso de substâncias clandestinas, como silicone industrial, é um grave problema de saúde pública que pode resultar em complicações irreversíveis e até mesmo fatais.

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Para o cirurgião, há uma grande preocupação da comunidade médica em relação a desinformação disseminada sobre procedimentos estéticos, incluindo o uso de PMMA. Ele observa que muitos profissionais médicos baseiam suas opiniões em fontes não científicas, o que pode levar a decisões prejudiciais para os pacientes. “É importante buscar informações baseadas em evidências científicas e consultar profissionais altamente capacitados e experientes antes de se submeter a qualquer procedimento estético”, reforça.

Ainda segundo o cirurgião, “infelizmente, hoje em dia há uma grande desinformação. Muitos colegas médicos, Sociedades representantes de médicos e até Conselhos dão explicações sobre o PMMA, sem conhecimento científico nenhum da causa. Infelizmente, muitos colegas médicos se baseiam em informações colhidas de blogs, sites, revistas não científicas, achismo ou apenas o que a mídia leiga publica, ao invés de livros. Muitos colegas não estudam, não leem, não se atualizam. Então, esse é um problema e acaba criando uma grande desinformação para a sociedade leiga”, conclui o cirurgião Eduardo Nunes.

Estudos sobre PMMA

Um estudo recente, intitulado “Intercorrências e óbitos em lipoaspiração”, revelou que fenômenos tromboembólicos, associação de cirurgias e o local do procedimento são fatores de risco envolvidos na mortalidade de lipoaspirações. Essas descobertas destacam a importância de medidas profiláticas e da seleção cuidadosa de pacientes e locais de procedimento para garantir a segurança durante essas intervenções.

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Comparativamente, o uso de PMMA em procedimentos estéticos tem sido associado a um menor risco de embolia em relação ao ácido hialurônico (HA), quando administrado no mesmo volume de injeção. Essa informação é crucial para médicos esteticistas e pacientes ao considerar diferentes opções de preenchedores para procedimentos cosméticos.

Além disso, diretrizes elaboradas com base em amplo levantamento de casos e discussões entre especialistas recomendam o uso do PMMA para fins restauradores e estéticos em diversas áreas faciais e corporais. Recomenda-se o preenchimento com PMMA em locais específicos do rosto, como nariz, mento, ângulo da mandíbula, arco zigomático e malar, ressaltando seu uso para equilíbrio facial. No entanto, é contraindicado o uso nos lábios. Quanto aos planos de aplicação, o justaperiostal é indicado para tratamento facial, enquanto o intramuscular é preferido para aplicação corporal de PMMA.

Em um estudo de coorte de 10 anos, intitulado “Aumento dos glúteos com polimetilmetacrilato”, o PMMA demonstrou ser uma das melhores opções para esse tipo de procedimento estético. Com uma taxa de efeitos colaterais de apenas 1,88% em relação aos 2.770 procedimentos realizados, o PMMA mostrou-se eficaz e seguro para o aumento dos glúteos.

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Para o médico, essas descobertas reforçam a importância de considerar o PMMA como uma opção viável em diretrizes para procedimentos estéticos, devido à sua eficácia e segurança comprovadas em estudos de longo prazo.

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