Empresas brasileiras conseguem conciliar lucro com impacto ambiental positivo, por meio de práticas ESG
O tema negócios sustentáveis, englobando empresas que procuram equilibrar resultados financeiros com responsabilidade ambiental, vem ganhando cada vez mais força. E não se trata de escolher entre um ou outro, mas de ver como ambos podem andar juntos e se reforçar mutuamente.
Uma pesquisa da Amcham Brasil com 401 empresários, responsáveis por cerca de 505 mil empregos diretos e um faturamento anual de R$ 2,9 trilhões, aponta que 52% das empresas já estão engajadas em práticas sustentáveis, e 72% afirmam que sustentabilidade já integra a estratégia de negócio. Além disso, 76% das empresas estão em estágio avançado de maturidade em sustentabilidade, o que mostra que não é mais uma tendência isolada. E há dados fortes: empresas com práticas integradas de ESG tiveram retorno financeiro 615% superior ao Ibovespa em determinado estudo.
Esses números mostram que sustentabilidade deixou de ser “algo bonitinho” ou apenas uma questão de marketing, e passou a ser critério fundamental de competitividade, atração de investimento, e fidelização de clientes.

“Aprendemos que a sustentabilidade precisa ser vista como investimento estratégico, e não apenas como custo. O retorno pode ser mensurado de forma clara a partir de alguns indicadores: redução de desperdícios, ao investir em tecnologias e processos que diminuem perdas de alimentos e otimizam insumos, conseguimos medir diretamente a economia gerada; eficiência energética e hídrica, monitorando consumos, assim, quantificando em reais a economia proporcionada por práticas de reaproveitamento e uso racional de recursos; imagem e valor de marca, com clientes e parceiros cada vez mais atentos a fornecedores responsáveis; e impactos sociais positivos, com projetos de inclusão e educação ambiental”, afirma Naína Lopes, gerente de Qualidade e Sustentabilidade do Grupo Risotolândia, que atua para levar alimentação saudável, segura e de qualidade para todos os brasileiros.
Mas, para que isso funcione bem, é preciso enfrentar algumas quatro dificuldades principais.
A mensuração do retorno financeiro é o primeiro deles. Embora muitas empresas invistam em sustentabilidade, mais da metade ainda sente dificuldade em medir claramente qual o retorno que essas práticas trazem. “O retorno financeiro não vem apenas da redução de custos diretos, mas também do aumento de receita e do fortalecimento da posição competitiva no mercado”, reforça a executiva.
Sem o engajamento da liderança e sem uma cultura interna, onde não existe o compromisso dos níveis mais altos da empresa, iniciativas verdes tendem a ficar aquém do potencial.
“No Grupo Risotolândia, entendemos que a sustentabilidade deve ser encarada como investimento estratégico, capaz de gerar valor econômico, social e ambiental de forma integrada. Para mensurar esse retorno, adotamos uma visão de longo prazo e indicadores que traduzem os impactos em resultados tangíveis e intangíveis, envolvendo todas as áreas e processos da empresa”, explica Naína.
Além disso, indicadores robustos são escassos em vários casos. Benchmarking, auditorias externas e padrões reconhecidos ainda não são universais. Bem como, tecnologias limpas, certificações ambientais, adequação de processos implicam investimento, que pode parecer alto no curto prazo.
Empresas de qualquer porte podem adotar medidas para fazer esse alinhamento, na prática.
“Muitas empresas deixam de enxergar a sustentabilidade como oportunidade de inovação. No nosso caso, utilizamos essa pauta como motor de diferenciação, criando soluções que otimizam custos, reforçam nossa competitividade e, ao mesmo tempo, geram impacto positivo”, reforça.
Primeiro, defina metas claras e mensuráveis. Reduzir emissões, uso de água, resíduos; certificar produtos; adotar energias renováveis. Metas que podem ser acompanhadas, revisadas e ajustadas. Também, incorpore ESG à estratégia corporativa, não deixando que a sustentabilidade fique restrita a uma área (meio ambiente ou comunicação), mas faça parte do planejamento estratégico.
Em outra ponta, investa em inovação, com novas tecnologias verdes, economia circular, novos modelos de negócio (materiais recicláveis, produção limpa etc.); e em parcerias e colaboração, com governos, ONGs, startups e institutos, por exemplo, que ajudam a dividir custos, compartilhar conhecimento, dar escala.
Por fim, comunique, de forma transparente, para clientes, fornecedores e investidores sobre práticas, progressos e resultados. Transparência gera confiança, reputação positiva e pode justificar preços premium. E adote métricas e auditorias externas, usando padrões como GRI, B Impact Assessment, relatórios ESG; comparações com pares; auditorias externas aumentam credibilidade.
O estudo Mapa de Negócios de Impacto Socioambiental identificou que 15% dos negócios de impacto no Brasil já faturam mais de R$2,1 milhões. Um salto considerável frente aos anos anteriores. Marcas, como a Dengo Chocolates, trabalham com produção de cacau em sistema tradicional cabruca, que respeita a Mata Atlântica, integrando qualidade, valor agregado e compromisso ambiental. E o resultado destas ações trazem diversos benefícios além do financeiro, como a melhora da reputação e fidelização, atração e retenção de talentos, acesso a investimentos mais favoráveis e redução de riscos.
“É importante ressaltar que é um erro subestimar o engajamento das pessoas. Nenhum projeto prospera sem a participação ativa de colaboradores, clientes e comunidades. Por isso, investimos em campanhas de conscientização interna, treinamentos e parcerias externas que ampliam o alcance das nossas ações e estejam alinhados ao nosso proposito como organização”, finaliza Naína Lopes.