Um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, Monique Curi vem se reinventando e buscando novos desafios profissionais. Aos 54 anos, a atriz, que está fora das novelas desde uma participação em “Haja Coração”, em 2016, assumiu uma nova posição nos palcos, como mestre de cerimônias e palestrante, num dia de debates e reflexões sobre o empoderamento feminino.

O evento, intitulado “Elas Investem Nelas – Edição Ressignificando a Vida”, aconteceu neste sábado, 17 de setembro, no Teatro XP, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e reuniu alguns famosos como O diretor artístico da Globo Fred Mayrink, a Queen Kayete e as atrizes Claudia Lira, Raquel Nunes e Andréa Avancini.
No encontro, Monique Curi relembrou alguns dos que considera os maiores erros de sua carreira e da coragem que precisou ter para se reinventar e ressignificar sua vida. Como quando ligou pessoalmente para o autor Manuel Carlos para lhe pedir um papel, após seis anos fora das novelas e a recusa de dois papéis protagonistas. O pedido, lhe rendeu um de seus personagens mais marcantes, a Lídia, em “Felicidade”.

“Eu já estava há seis anos parados, eu Dinh, não tinha o telefone de ninguém. E não parava de pensar no Manoel Carlos, que me chamou para algumas novelas. Revirando um baú velho que tinha no meu quarto, achei uma caderneta de telefones, e tinha o número dele. Liguei e fui atendida pela secretária eletrônica, meio tímida no meu recado sem saber se ele ainda lembrava de mim. Quando ouviu o meu nome, na mesma hora ele pegou o telefone e para a minha surpresa, disse que estava me procurando por todo esse tempo”, relembrou.
Para a novela, que foi ao ar em 1991, a atriz teve que fazer um teste, concorrendo ao papel com Adriana Esteves. “Naquela época eu estava me sentindo um nada, e numa atitude de coragem o Manoel Carlos me disse tudo que eu precisava ouvir. Eu passei no teste, e gente, desculpa, mas concorrer com a Adriana Esteves, minha amiga de trabalho, maravilhosa, não é fácil. Ela é minha musa… Carminha não tem igual no mundo”, completou Monique, que chegou a estampar a capa do disco LP da novela.
No encontro, que lotou o Teatro XP, Monique também fez um balanço sobre sua carreira, ressaltando alguns arrependimentos e a grande virada de chave em sua vida depois dos 50 anos. “Eu fui atriz por 40 anos, e ao longo da minha história eu passei por momentos muito difíceis: bulimia, relacionamento abusivo… Eu fiz muitas escolhas erradas, que me fizeram enxergar a importância da força que a gente tem aqui dentro”, explica Monique.
“Ao longo da vida, nos meus ‘fundos do poço’, com as minhas escolhas erradas, fui descobrindo quem eu era e onde poderia chegar. Me arrependo de papéis que recusei, para as novelas “Corpo Santo” e também “O Outro” e sofri com isso por muito tempo. E aos 50 anos, eu cansei de esperar os convites para trabalhar… Quando você espera alguém te convidar, você está colocando a sua felicidade na mão do outro. Eu não queria mais depender de ninguém para ser feliz. Foi aí que criei o meu canal e comecei a ouvir histórias de mulheres muito inspiradoras”, contou.

E continuou: “A partir das minhas escolhas erradas, descobri uma força gigante dentro de mim. E ao aprofundar neste universo feminino, percebi como tem mulheres sofrendo… Recebo muitas mensagens nas minhas redes sociais, de mulheres que estão tentando se reinventar, mas não conseguem, ou não sabem por onde começar. Não conseguem acessar a força que elas tem. Mulheres que não acreditam nelas mesmas, que tem a síndrome da impostora, acham que não são capazes. Só que fui entendendo que essa força, que eu e estas minhas entrevistadas temos, todas as mulheres tem. ‘Mas não adianta só ter força: e é preciso acessar’, refletiu.
O evento também tratou de pautas como “Liberdade Financeira da Mulher”, o tema “Desista de Desistir” e o Despertar Feminino.
Entre os palestrantes estiveram o diretor artístico da TV Globo, Fred Mayrink, a psicóloga e neuro cientista Gislene Isquierdo e Jéssica Oliveira, para atleta de natação e palestrante. O ingresso teve valor simbólico e a soma arrecadado será destinado para uma instituição de mulheres.