Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Blogs e Colunas

Mês da Mulher: Juliana Cascaes fala sobre trajetória de representatividade na arquitetura

A arquiteta já teve seu projeto escolhido para estampar a capa da Casa Cor Mato Grosso e se consolidou em solo paulistano

Por Analice Nicolau 10/03/2022 10h30
A arquiteta já teve seu projeto escolhido para estampar a capa da Casa Cor Mato Grosso e se consolidou em solo paulistano

A inclusão de mulheres na arquitetura, sem dúvidas, cresceu expressivamente ao longo dos últimos anos. Porém, para a equidade, ainda há um longo caminho.

Refutando os números, em que apenas três das cem maiores empresas de arquitetura do mundo são chefiadas pelo sexo feminino, no Brasil o cenário é animador. A crescente representatividade no mercado mostra que o quadro vem mudando.

Juliana Cascaes é uma das que vem ganhando espaço na área. Graduada em Arquitetura e Urbanismo e pós-graduada em Design de Interiores, tem obtido bastante sucesso no público de alto padrão – que costuma ser o mais exigente. Atuando em São Paulo, ela realiza projetos dentro e fora do Brasil. Dentre os vários, há um no hotel Fasano, em Angra dos Reis, e em Miami.

Sua trajetória começou ainda no fim da adolescência quando, aos 17 anos, iniciou um estágio em um escritório voltado para a classe A. E a paixão pela profissão é algo de família: a avó e a tia já lidavam com decoração: “É algo que já faz parte de mim desde sempre”, pontuou.

O talento e a busca pela valorização do design brasileiro lhe renderam gratificações. Além de ter participado por quatro vezes do Casa Cor Mato Grosso, em 2018 teve seu projeto de Sala de Jantar estampado na capa da revista. Além disso, foi gratificada em Dubai e Paris com um prêmio do Núcleo Casa, para arquitetos imponentes no mercado.

O caminho, porém, teve seus percalços. Aos 32 anos e mãe solo de duas meninas, ela viu a vida virar de cabeça para baixo ao se separar, há dois anos, e sair de Cuiabá rumo à capital paulistana.

“Nunca deixei de trabalhar, nem mesmo quando fui mãe. Ao chegar em São Paulo, veio a pandemia, mas não parei de investir. Montei meu escritório, construí minha marca e fui conquistando meu espaço”, explicou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As redes sociais, segundo ela, foram essenciais na divulgação de seu portfólio: “É uma maneira de os novos clientes me encontrarem, assim como os antigos me indicarem para conhecidos”.

Com uma grande equipe para auxiliar na execução dos projetos, Juliana tem como palavra de ordem a qualidade e a presteza nos serviços. Mas, ainda assim, precisa lidar com o machismo presente na profissão.

“Sempre soube impor respeito e nunca dei abertura para ninguém fazer algum tipo de comentário além do limite, mas isso existe. Especialmente porque, quando visitamos obras, precisamos estar bem arrumadas, de salto alto e, infelizmente, há pessoas que se acham no direito de desrespeitar a mulher’, contou.

E com uma carreira atribulada, ela ainda concilia com a maternidade. Com o pai das meninas morando longe e a família em Curitiba, sua cidade natal, ela conta com o auxílio de uma babá nos cuidados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Minha logística é toda pensada em minhas filhas. Moro em um bairro próximo ao escritório, que fica na Faria Lima, e o colégio em que elas estudam fica a 50 metros de distância da minha casa. Consigo levá-las e ter um momento, nós três, quando chego à noite e aos fins de semana. Prezo muito por isso. Divido meu tempo com as lições de casa, o lazer. Tudo é por e para elas”.

Juliana completa que, apesar do cansaço, o resultado é completamente satisfatório. E aconselha as mulheres que desejam ingressar na carreira de arquiteta:
“Confie em você, não tenha medo do que as pessoas vão te julgar e acredite na sua capacidade. Se não fizer isso, ninguém o fará. Já fui muito julgada, especialmente quando me separei e vim com minhas filhas para São Paulo. Mas, não me deixei abater e fui adiante no meu objetivo. Conciliar uma carreira com a família é desafiador, sim, mas vale a pena. Busque sempre ser a melhor em tudo o que se propor a fazer”, finalizou.






Você pode gostar