Em dezembro de 2022, se tornou público a doença enfrentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro: erisipela. Dias depois, Bolsonaro precisou ir até o posto médico do Palácio do Planalto em razão do agravamento dos sintomas da infecção bacteriana. A erisipela não é contagiosa, mas com o aumento da temperatura, há também um aumento na incidência de micoses e picadas de inseto e, com isso, as lesões provocadas servem como portas de entrada da bactéria Estreptococo, que penetra na pele e se espalha pelos vasos linfáticos, provocando a doença.

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) faz um alerta: e erisipela, sem tratamento adequado, pode gerar complicações graves e até mesmo, levar à morte. Embora não seja contagiosa, a erisipela é uma doença infecciosa, que atinge a pele e o sistema imunológico e se manifesta nos membros inferiores, como pernas e pés. De acordo com os especialistas, os principais sintomas da doença incluem vermelhidão na região afetada, íngua (inflamação das glândulas), calafrios, dor, inchaço, febre alta e mal-estar em geral.
Algumas pessoas também podem sofrer diarreia, vômito e desidratação. Com a progressão da doença, e sem o tratamento adequado, o paciente pode apresentar bolhas incômodas e dolorosas ou feridas conhecidas como necrose, por conta da morte das células do tecido.
A boa notícia é que a erisipela tem tratamento. A SBACV recomenda que, ao primeiro sinal de vermelhidão e inchaço na perna, o paciente procure um especialista vascular para iniciar o controle da infecção e evitar o avanço da doença.
Porém, o tratamento para a erisipela só pode ser recomendado por médico especialista, e consiste no uso de medicamentos para eliminar a bactéria causadora; redução do inchaço, repouso absoluto com as pernas elevadas, principalmente na fase inicial; e cuidados para cicatrização da porta de entrada da bactéria, tratando as lesões de pele e as frieiras; além de limpeza adequada da pele para evitar o crescimento das bactérias.

O angiologista e cirurgião vascular Sergio Belczak, membro da diretoria da SBACV, ressalta que determinados grupos estão mais vulneráveis e precisam de atenção redobrada. Entre eles, estão os idosos; pessoas com linfedema ou outra deficiência de funcionamento do sistema linfático; excesso de peso; pacientes com insuficiência venosa nos membros inferiores; problemas de circulação nas pernas; e diabetes; neste último caso, com mais chances de evoluir para os sintomas graves da doença.
Para tentar evitar a doença, nos dias mais quentes, é preciso um olhar mais atento ao corpo, e redobrar os cuidados com repelentes e com os boxes de banheiros, para evitar a proliferação de fungos. “Durante o verão, as lesões de pele, em especial a micose interdigital, são mais frequentes e favorecem a entrada de bactérias causadoras de erisipela. Por isso, é preciso enxugar bem as áreas úmidas do corpo, principalmente entre os dedos, ter cuidado com cutículas e unhas e manter a higiene”, explica Belczak.