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Analice Nicolau
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Medicina integrativa: um olhar abrangente da saúde e do bem-estar

Dra. Tereza Fakhouri conta os detalhes do método que tem como foco o autocuidado

Analice Nicolau

28/07/2023 16h00

Cuidar da saúde de uma forma abrangente, com foco no paciente e no autocuidado. Assim a Dra. Tereza Fakhouri define a Medicina integrativa, método de sucesso na promoção do bem-estar que ela tem adotado.


“A Medicina integrativa tem um olhar abrangente da saúde e do bem-estar, ao contrário da medicina alopática tradicional, que muitas vezes se concentra em tratamento dos sintomas sem buscar as causas, a medicina integrativa adota um olhar mais amplo, compreendendo que saúde envolve mais do que aspectos biológicos, mas também psicológicos e sociais. O paciente é o centro do tratamento, chamamos esse processo de proativo, incentivando-o no auto cuidado, adotando hábitos saudáveis e fazendo escolhas conscientes. A educação e a orientação são fundamentais para capacitar os indivíduos a assumirem o controle de sua saúde, prevenindo doenças e melhorando a qualidade de vida”, explica a médica.


Sobre este ramo de atuação, a Dra. acrescenta que muitos avanços têm ocorrido nos últimos anos, entre eles a compreensão do funcionamento de vários problemas de saúde. “Atualmente, entendemos a importância da inflamação no desenvolvimento de várias doenças. Ela causa mais de 80% de todas as mortes, como câncer, AVC (derrame), doenças neurodegenerativas, diabetes, doença renal crônica, esteatose hepática ( fígado gorduroso). Outro marco nessa área é o entendimento da importância das bactérias intestinais, o que chamamos de microbioma. Elas podem proteger ou piorar risco de doenças como Alzheimer, esclerose múltipla, Parkinson”, aponta Tereza Fakhouri.


Além disso, a médica relata que a genética e a compreensão do DNA também tem proporcionando um avanço. “A revolução maior desse área é o entendimento da epigenética e dos MicroRNAs, por tempo acreditamos que éramos prisioneiros do nosso código genético, o DNA, que se tivéssemos um gene que aumenta o risco de problema no coração por exemplo, inevitavelmente esse seria o nosso fim, teríamos o problema do coração. A epigenética é a mudança que pode ocorrer na expressão dos genes do DNA. Ou seja o gene pode estar lá, dizendo que você vai ter um problema no coração, mas através da epigenética podemos silenciar esse gene, e ele deixar de agir assim, reduzindo novamente o seu risco”, diz.
Dra. Tereza Fakhouri ainda pontua que este tipo de tratamento pode ser considerado o futuro da Medicina. “Vejo como a Medicina do futuro. Por longos anos a Medicina tratou doenças sem conseguir efetivamente preveni-las ou individualizar os tratamentos. A medicina integrativa faz isso.”, revela.


Atualmente atuando em Sinop-MT e no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, Dra. Tereza atua também na área de nefrologia, que vem vivendo um momento também de significativos avanços com novos medicamentos. “Até recentemente o único tratamento medicamentoso para retardar a doença renal crônica era as medicações da classe IECA (surgiu em 1981) e BRA (1995), como o captopril e losartana. Classicamente esses remédios são para o tratamento de hipertensão arterial sistêmica (pressão alta), mas são considerados nefroprotetores por atrasarem a evolução da doença renal crônica, portanto manter o paciente com doença renal mais tempo longe da hemodiálise ou transplante. Vinte e cinco anos depois do lançamento do BRA, em 2020, uma medicação para diabetes começou a ser utilizada para esse fim também, são os inibidores da SGLT2, e esse ano é o lançamento no Brasil de um medicamento que também consegue atrasar a progressão da doença renal crônica, é o finerenone, um remédio da classe mineralocorticoide não esteroidal, que traz um acalento para o coração dos nefrologistas e portadores de doença renal crônica. Pois quando o arsenal para combater a doença cresce geralmente nos permite ter mais sucesso no tratamento de uma determinada doença”, contextualiza a médica.


 Apesar dos recentes avanços, ela acrescenta que há ainda desafios na Saúde, principalmente em relação às conscientização dos indivíduos. “O maior desafio é o paciente entender essa responsabilidade, somos seres emotivos, temos desejos, e fazer as escolhas saudáveis nem sempre são fáceis. Além disso, não fomos educados com medidas de controle do estresse, nos ensinaram como comer, como escrever e como falar, mas nunca nos ensinaram que nossa respiração tem que ser ensinada e que ele pode te auxiliar a relaxar e fazer um manejo do estresse. Precisamos mudar nossa cultura imediatista em relação a saúde, no mesmo período em que todo o mundo se torna cada vez mais imediatista, parece que estamos no sentido contrário, e isso torna o processo mais difícil”, finaliza Dra. Tereza Fakhouri.

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