Influenciadora antirracista impulsiona protagonismo digital mulheres quilombolas Tocantins
No pátio pulsante do centro comunitário da Comunidade Quilombola Malhadinha, em Brejinho de Nazaré (TO), sábado 28/02 escreve história viva: Maju Cotrim jornalista formada em Palmas, ativista antirracista, autora do livro “Guerreiras Populares Quilombolas”, chega com celular na mão, atravessando o espaço sagrado de festas religiosas, reuniões políticas e celebrações ancestrais para lançar “Conexão Quilombola: mulheres que conectam saberes”. É o momento exato em que tradição quilombola e tecnologia se encontram frente a frente, sob o sol do Norte brasileiro.
Baiana de nascimento, tocantinense de coração e filha de trabalhadora doméstica, Maju Cotrim construiu trajetória singular rompendo barreiras sociais no estado que escolheu para viver. Formada em jornalismo em Palmas, consolidou-se como comunicadora humanizada, empresária e liderança antirracista à frente de veículo dedicado a direitos humanos, enfrentamento ao racismo estrutural e escuta atenta de povos tradicionais, periferias e, especialmente, mulheres negras quilombolas. Sua atuação transcende redações: debates, palestras, formações e agora territórios rurais. “Quando a comunicação chega, a autoestima cresce. Quando o acesso digital se organiza, as oportunidades se multiplicam”, resume ela com precisão clínica.

Quilombos são muito mais que geografia, representam identidade étnico-racial formada por descendentes de africanos escravizados que resistiram à escravidão, criando territórios próprios baseados em laços de parentesco, organização coletiva, preservação de saberes ancestrais e práticas culturais únicas. Reconhecidos por lei com direitos territoriais e culturais, enfrentam batalhas diárias por regularização fundiária, infraestrutura básica e políticas públicas efetivas. Tocantins se destaca na Região Norte: cerca de 13 mil quilombolas vivem em pelo menos 32 municípios, incluindo Brejinho de Nazaré, Mateiros, Arraias, Muricilândia e Santa Fé do Araguaia. Malhadinha simboliza essa potência: mulheres lideram associações, preservam memória oral, produzem agricultura familiar e artesanato, organizam festejos tradicionais.
O contraste não poderia ser mais potente em 2026: enquanto funk e samba quilombolas viralizam em playlists globais, comunidades carecem de formação digital estratégica apesar do acesso básico à internet. Maju Cotrim responde com oficinas gratuitas e presenciais, partindo da realidade de cada território. A metodologia abrange uso estratégico de redes sociais para vendas e mobilização comunitária, produção de fotos/vídeos com celular (Stories, Reels com identidade própria), comunicação que narra história quilombola pelo olhar feminino, empreendedorismo digital via WhatsApp Business e catálogos online, acesso a serviços públicos pelo Gov.br (benefícios sociais, saúde, educação) e cidadania digital contra golpes e fake news.

O impacto prático é transformador: alfabetização digital básica (celulares, e-mails, navegação segura) se conecta a eixos avançados, produção de podcasts e blogs preservando memória oral, plataformas educacionais online para qualificação profissional, e-commerce de produtos locais (artesanato, alimentos) com meios de pagamento digitais, sempre com segurança de privacidade e combate a desinformação. Jovens nativas digitais, mulheres adultas com pequenos negócios e anciãs guardiãs de sabedoria ancestral aprendem juntas em módulos com prática acompanhada, garantindo que ninguém fique para trás. Resultado? Economia familiar fortalecida, cultura comunitária visibilizada com orgulho, acesso autônomo a direitos, uma rede nacional de mulheres quilombolas tecendo potência coletiva.

No pátio de Malhadinha, coração político e afetivo onde passado, presente e futuro se abraçam, mãos que plantam mandioca agora gravam Reels que conquistam mercados. Guardiãs da folia de Reis criam Stories que preservam ancestrais. Uma artesã organiza vendas pelo WhatsApp enquanto lidera associação fundiária. Amanhã, dia 28, essa revolução ganha corpo.