A estimativa é preocupante e pode gerar um impacto econômico anual de US$ 4,32 trilhões se não houver mudanças significativas na prevenção e tratamento da obesidade. No Brasil, a previsão é que até 41% dos adultos estejam com obesidade no mesmo período, gerando um impacto econômico de mais de US$ 75 milhões no país, sendo US$ 19 milhões apenas em assistência médica em saúde. Essa estimativa leva em conta não apenas o excesso de peso, mas o custo de comorbidades associadas, como hipertensão e diabetes.

A obesidade é uma doença crônica multifatorial e precisa ser tratada com cuidado e acompanhamento multidisciplinar, de acordo com o presidente do Capítulo do Paraná da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Dr. José Alfredo Sadowski. A cirurgia bariátrica pode ser uma opção para quem não consegue emagrecer com dietas e exercícios, mas o paciente precisa continuar com acompanhamento nutricional, psicológico e médico para manter o peso e evitar complicações.

Além do impacto na saúde, a obesidade também afeta a saúde do fígado, de acordo com a hepatologista Dra. Cláudia Ivantes, que atua no CIGHEP. A gordura no fígado causada pela obesidade é uma das causas de cirrose. Estima-se que 25% da população adulta com excesso de peso apresente algum nível da doença, que se agrava conforme o Índice de Massa Corporal (IMC) aumenta.

No entanto, a cirurgia bariátrica também pode trazer grandes benefícios do ponto de vista da saúde do fígado, já que, após cinco anos, é possível observar uma resolução e regressão da fibrose que é um componente de prognóstico importante da esteatohepatite não alcoólica. Pacientes com esteatohepatite não tratada podem evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado, o hepatocarcinoma.

O médico endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Dr. André Vianna, também alerta para a relação entre a obesidade e o diabetes tipo 2. Entre todos os casos de diabetes no mundo, 90% são do tipo 2, que pode surgir como consequência do acúmulo de gordura abdominal. O tratamento da obesidade é importante para o controle do diabetes, sendo que a perda de peso é a primeira recomendação no tratamento do diabetes descontrolado. A obesidade também está relacionada a outras doenças, como hipertensão e dislipidemia.
No Brasil, a cirurgia bariátrica pode ser indicada quando os pacientes atendem a critérios de peso, idade e/ou doenças associadas. Estão aptos os pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades; IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades como pressão alta, diabetes tipo 2, dislipidemia grave, apneia do sono, problemas articulares ou hérnia de disco por exemplo.
A idade também é fator a ser analisado. Pacientes entre 18 e 65 anos não têm restrição. Acima de 65 anos, o paciente pode ser operado, porém deve passar por uma avaliação individual . Em pacientes entre 16 e o 18 anos, o Consenso Bariátrico recomenda que a operação deve ser consentida pela família ou responsável legal e estes devem acompanhar o paciente no período de recuperação. Em menores de 16 anos apenas em situações bastante específicas.
“O principal objetivo da cirurgia bariátrica, além de promover a perda de peso, é combater e controlar as doenças associadas e promover qualidade de vida aos pacientes. Além da saúde física, a cirurgia apresenta bons resultados também na saúde mental. Pessoas com obesidade enfrentam graves problemas sociais, dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, e outros diversos tipos de estigmas devido ao preconceito pelo excesso de peso”, explica o cirurgião, Dr. José Alfredo Sadowski.