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Analice Nicolau
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Mães atípicas enfrentam sobrecarga emocional: recupere sua saúde mental agora

Colunista Analice Nicolau

30/04/2026 18h31

Mães atípicas enfrentam sobrecarga emocional: recupere sua saúde mental agora A terapeuta Rosa Griffel analisa o impacto invisível que compromete a identidade e saúde feminina lança metodologia "Jornada Lapidar"

Rosa Griffel, mãe atípica e terapeuta lança metodologia “Jornada Lapidar”, um método focado na reconstrução emocional e no resgate da essência feminina dentro do contexto atípico

A terapeuta Rosa Griffel analisa o impacto invisível que compromete a identidade e saúde feminina

A maternidade atípica é frequentemente analisada sob a ótica estrita do diagnóstico infantil, negligenciando a saúde mental das progenitoras. Estudos indicam que o impacto emocional nessas mulheres é estrutural, não apenas pontual. Segundo o Journal of Autism and Developmental Disorders, mães de crianças com TEA enfrentam níveis de estresse alarmantes em comparação a outros grupos. No Brasil, estimativas sugerem que mais de 60% sofrem de esgotamento emocional contínuo, evidenciando uma crise silenciosa que demanda intervenção e visibilidade urgente. É necessário transpor a barreira do “cuidado técnico” para enxergar a mulher que sustenta toda a estrutura familiar.

Para Rosa Griffel, mãe atípica e terapeuta, a estatística ganha rosto e voz. Ela alerta que o maior perigo não reside no laudo médico, mas no apagamento progressivo da individualidade feminina. Em suas palavras: “o maior risco não é o diagnóstico, é o desaparecimento da mulher”. Segundo Rosa, o acúmulo de demandas práticas, como a gestão de terapias e burocracias com planos de saúde, mascara um sofrimento psíquico que é postergado até tornar-se crônico. A mulher abdica de si mesma em prol da função, tornando-se o suporte de um sistema que raramente oferece suporte a ela.

A sobrecarga manifesta-se em três pilares fundamentais: culpa, solidão e perda de identidade. A culpa deixa de ser um sentimento esporádico e passa a ocupar um lugar permanente na rotina, manifestando-se até nos raros momentos de descanso. “Existe uma crença silenciosa de que, se ela para, está falhando. Como se descansar fosse abandonar”, explica Rosa Griffel. Essa dinâmica gera um isolamento emocional profundo, onde, mesmo cercada por profissionais e familiares, a mãe não se sente verdadeiramente compreendida em sua dor, contribuindo para um quadro de exaustão que compromete sua integridade psíquica.

A terapeuta Rosa Griffel

Esse cenário de esgotamento transborda inevitavelmente para o núcleo familiar, afetando diretamente a relação conjugal e a harmonia doméstica. A rotina intensa e a carga mental constante forçam o casal a operar em “modo de sobrevivência”, onde a conexão afetiva é substituída pela gestão logística. Rosa observa que muitos parceiros deixam de ser um casal para se tornarem gestores de crises. “Falam sobre tudo, menos sobre eles”, afirma a terapeuta. O afastamento emocional progressivo reforça o ciclo de solidão, criando um ambiente onde a funcionalidade da mulher esconde uma exaustão interna devastadora.

Diante desse quadro crítico, Rosa Griffel desenvolveu a “Jornada Lapidar”, um método focado na reconstrução emocional e no resgate da essência feminina dentro do contexto atípico. O objetivo não é minimizar a responsabilidade materna, mas permitir que a mulher volte a existir independentemente de sua função de cuidadora. Ao trabalhar pilares como autovalor e a ressignificação da culpa, o método propõe uma mudança de posicionamento interno. Quando a mãe recupera seu equilíbrio e autorregulação, há um reflexo positivo imediato em todo o sistema, otimizando o desenvolvimento do próprio filho e a saúde do lar.

Rosa Griffel, mãe atípica e terapeuta

É fundamental compreender que o apoio terapêutico deve ser encarado como parte essencial do protocolo de assistência à criança com deficiência. O cuidado com a saúde mental da mãe não é um luxo secundário, mas uma necessidade técnica e humana. A conformidade com normas de privacidade garante que a jornada dessas mulheres seja tratada com a dignidade que o tema exige. A autoridade neste debate passa pela compreensão de que cuidar de quem cuida é uma estratégia de saúde pública essencial para evitar colapsos sistêmicos.

Concluímos que o avanço nos diagnósticos infantis precisa ser acompanhado de um suporte robusto e humanizado às figuras maternas. Como enfatiza Rosa Griffel: “Quando a mãe está inteira, ela cuida melhor. Cuidar da mãe é cuidar de todo o sistema”. A maternidade atípica exige mais que tratamentos e laudos; exige que a sociedade e as instituições olhem para a mulher por trás da função. É imperativo que o cuidado não signifique o fim da identidade feminina, garantindo que essas mães possam, finalmente, voltar a existir para além do diagnóstico de seus filhos.

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