No encerramento do evento “Energia 360 Alagoas: Caminhos para a Segurança Energética”, realizado na última quinta-feira (17/7), o CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, enfatizou a necessidade de um planejamento energético integrado e da otimização de soluções já existentes no país. Ele destacou que essas medidas são essenciais para garantir a segurança energética e enfrentar desafios como a pobreza energética e a expansão da oferta, especialmente diante da crescente demanda impulsionada por data centers e pelo uso cada vez maior da Inteligência Artificial (IA).

“Hoje, precisamos pensar em soberania energética. Na Origem, acreditamos muito no desenvolvimento dos recursos que já temos e no gás natural como a bateria para dar segurança ao sistema”, afirmou Coutinho, durante o painel “Evento em Perspectiva: Cenários Energéticos”, ao lado de Verônica Coelho, Senior Vice President e Country Manager Brazil da Equinor.
A executiva destacou o papel estratégico do gás natural na substituição de fontes com maior emissão de carbono, como o carvão e o diesel.
“Elas podem ser convertidas para geração a gás, que tem um impacto ambiental menor. Outro fator importante é a flexibilidade que o gás oferece em um sistema elétrico que conta com as fontes renováveis e suas intermitências. As térmicas a gás podem ser esta solução entregando energia de forma rápida”, avaliou.

O evento, que ocorreu ao longo de três dias em Maceió, reuniu líderes empresariais do setor energético, representantes do governo, acadêmicos e especialistas. Os debates abordaram temas como integração entre fontes de energia, flexibilidade do sistema, convergência entre os setores elétrico e de gás natural, impacto da IA, geopolítica, investimentos em infraestrutura e exploração de novos blocos.
Durante o evento, a Origem também promoveu um workshop técnico para apresentar seu projeto pioneiro de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN) – o primeiro do país. O projeto recebeu, em 15/07, a licença prévia do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e aguarda autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O dia também contou com a palestra de Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Banco Safra S/A, que apresentou uma análise macroeconômica, abordando os impactos globais da elevação das tarifas decretadas pelo governo dos EUA.
No painel “Estratégia de Investimentos em Blocos Exploratórios: Desbloqueando o Potencial Econômico das Bacias Sedimentares Brasileiras”, participaram Juliano Stica (Petrobras), Luciano Lobo (ANP), Flávio Fernandes (S&P Global) e Frederico Miranda (ABGP).
Segundo Luciano Lobo, da ANP, embora a atividade exploratória tenha sido muito baixa em 2024, o cenário mudou este ano: atualmente, 411 blocos exploratórios representam oportunidades relevantes de investimento.
Outro destaque do dia foi o painel sobre “Investimento em Infraestrutura para Competitividade no Brasil”, com Luiz Ildefonso Simões Lopes, da Brookfield, e Ana Paula Zettel, assessora da presidência do BNDES.
Zettel ressaltou o papel do banco na retomada de investimentos nos últimos dois anos:
“Muitos destes recursos foram capitaneadas por alguns setores, transporte e saneamento entre eles, mas também pelo setor privado. O BNDES é um grande player que financia a infraestrutura em parceria com a iniciativa privada, que é a grande protagonista nessa retomada”.
Lopes destacou as iniciativas em descarbonização industrial:
“Miramos neste setor de uma forma geral, não só na energia, mas em todos os segmentos industriais. Este é um grande foco do negócio, que pode gerar enormes oportunidades. Podemos pensar em como fazer um fabricante de cimento, por exemplo, reduzir as emissões, mesmo que de forma transitória. Temos toda uma área de transição energética para investir”.
O encerramento ficou por conta da apresentação técnica de Danielle Carmo, gerente de Estocagem da Origem Energia, que reforçou a relevância do ESGN:
“Acreditamos muito na estocagem como âncora para a segurança energética do Brasil. Temos uma produção que é inflexível e uma demanda que é flexível. A estocagem não compete com as energias renováveis, ao contrário, incentiva seu uso”.